Deixar morrer parte da nossa história, é matar aos poucos o
sangue que é nosso, é apagar o caminho daqueles que nos fizeram hoje. Quer
tenham sido os seus passos, de grandeza ou de infortúnio, a história faz de nós
a muralha do tempo e os brasões dos sonhos realizados pelos heróis de todos os
tempos. Somos aquilo que fazemos de nós, e é disso que a história nasce. Aos
poucos já não é apenas a leitura da passagem de alguém, é o conhecimento de
toda uma nação, de uma vontade, de uma aspiração, de um sonho realizado ou de
uma ação por cumprir. Morrer não desvanece o passado, muito menos é abandonado pelo
futuro, mas com a morte todos os vestígios de uma existência são esquecidos, e
ninguém se importa. Com o passar do tempo, com a descoberta da ponta de uma
história qualquer, a chama reacende àqueles que se deslumbram por passados de
imensas emoções e acontecimentos. A sabedoria é a sobra das suas alegorias e a
prova os seus vestígios. Tantos aqueles que se vislumbram nos olhares
perspicazes, sinceros, interessados e discretos de quem os procura. É aqui que
se abraça a história e continua a sua escrita. Para todos os que desejam fazer
parte dela, eis uma passagem do tempo de muitas histórias que escreveram só
uma.
(excerto do meu conto em construção "O Negro em Scalabis")
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