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sexta-feira, 21 de março de 2014

Livro "Terra Fria"

"Uma octogenária em fim de vida recebe a visita de um padre aposentado, para a última confissão, e ambos revisitam o passado na esperança de exorcizarem demónios de consciência. Cinquenta anos antes, a mulher fora denunciada à PIDE por um bufo que depois desapareceu sem deixar rasto juntamente com o agente enviado para investigar a denúncia. Mas o demónio de consciência mais antigo nascera anos antes, dos escombros da Segunda Guerra Mundial, nas ruínas de um coração".


Opinião:


Em tempos de necessidade são tomadas decisões difíceis para encontrar melhores condições de vida. São decisões difíceis, não só, porque obriga deixar quem se ama, como é um risco procurar no desconhecido a salvação. Assim aconteceu a António que partiu clandestinamente para França por uma vida melhor para si e para a sua mulher com vida a gerar dentro dela. 


Chegado à fronteira quis o destino pregar-lhe uma partida. A PIDE. A  Polícia Internacional e de Defesa do Estado que utilizava a tortura para obter informações e foi responsável por alguns crimes sangrentos. 

“Terra fria”retrata esta época de injustiças, opressão, perseguição e forte violência. É um livro duro para recordar duros tempos. A sua história sente-se na própria pele, sente-se a tensão, o receio e a impotência perante os inspetores da PIDE, com tamanha manipulação e poder.

Esta passagem é-nos contada de uma forma envolvente e tocante com especial atenção a uma personagem forte e muito corajosa, a que, vamos assistindo em primeira fila à grande prova que foi viver nestes tempos violentos. Chama-se Esmeralda e a sua luta começou na hora do parto da filha. E, é pelo sangue que também é seu, que vai lutar pela sobrevivência de quem mais ama, mesmo quando, tudo parece ter terminado. 

Nem todos os inspetores tinham coração de pedra, ou será que tinham? É o que vamos descobrir com a personagem Silvério. Apenas um coveiro ou mais do que isso? O passado nem sempre se liberta do presente e parece manter-se até ser necessário. Pois a justiça tem várias faces e fazer justiça, muitas das vezes, obriga  atentar contra a sua própria essência e cometem-se crimes necessários. Só a dor é capaz de causar tal sentença.

Vieira do Minho, “a terriola" , parece ter acordado uma atenção indesejada aos PIDE’s que não se acanham em usar a força para controlar ou eliminar eventuais manifestações de opinião e descontentamentos que se opunham ao regime vigente. Esmeralda vê-se no gume afiado da morte. A agulha conserta a vida, a mola rouba-a e a tesoura sacrifica o corpo e salva coração.

Este livro fala de sacrifício, de dor, tem prova de amor, tem firmeza nas escolhas, tem luta pelo que merece ser lutado, tem prazer em se ler, tem honestidade de ser. As suas palavras são um colo comovente com lágrima derramada onde a verdade é contada como importante lição e esperança de que todo o mal também tem a sua hora. A morte é o fim de tudo, mas não, o fim das lições que ficam para quem as quiser aproveitar para melhorar a sua, e a vida dos outros.

Parabéns Manuel Alves por mais um excelente trabalho....

http://juroqueminto.blogspot.pt/
https://www.goodreads.com/book/show/20804191-terra-fria?from_search=true

domingo, 19 de janeiro de 2014

Lili: O natal no fundo da caixa






Descrição:


"Lili desceu as escadas, às escuras, a procurar o degrau seguinte com a ponta da meia de lã. Pisou as escadas juntinho à parede, onde os degraus faziam menos barulho. Descuidou um passo e encolheu os ombros com o chio fininho das tábuas. Se acordasse a mãe e o pai, lá se ia a missão secreta. Não havia razão nenhuma para Lili esperar pelo dia de Natal para abrir o presente".



Oh oh oh....

Mais um excelente conto de Manuel Alves, repleto de palavras doces e de conhecimentos preciosos, embrulhados numa cartolina vermelha com bilhetinhos surpresa.  Mais uma aventura divertida de Lili que causa picadinhas boas no coração. 
É verdade, a Lili está mais crescida e as suas aventuras continuam a deliciar-nos como sempre, e claro, está presente o famoso cacau-quente acompanhado de ternuras de uns pais muito atentos e apaixonantes, aliás, uns pais muito fixes. 
A imaginação, por vezes, não é mais do que deslumbramentos de uma realidade feliz, ou talvez, sejamos nós que gostamos de colorir essa realidade com um pouco de fantasia e a tornamos um pouco mais deliciosa. Seja imaginação ou não, o importante são as coisas boas de que dela advém e como as utilizamos para e na nossa vida. E este natal, está repleto de pequenas e grandes criaturas, de desejos e intenções várias pelos presentes que se guardam no decorado pinheirinho de natal. O presente da Lili foi só uma coincidência, porque o seu presente “estava mesmo ali” e era o melhor presente de todos. 
Qual? Ah…não posso dizer, este conto, há que ler. 
Afinal de contas, existem alegrias que não podem ser roubadas. 
Parabéns Manuel... :)


Para aceder ao conto: 
https://itunes.apple.com/br/book/lili-o-natal-no-fundo-da-caixa/id788440979?mt=11
https://www.smashwords.com/profile/view/manuelalves

Página do autor: 
http://juroqueminto.blogspot.pt/

segunda-feira, 20 de maio de 2013

A invenção de um conto de fadas...





Sinopse:

"Seria bom que todas as histórias entre duas pessoas que se gostam terminassem em verdadeiros contos de fadas. A vida é outra coisa. 

Se querem uma história em linha recta, não leiam este romance. No ínicio, é uma chama que arde lenta. No meio, fala de amor como apenas o amor sabe falar de si. No fim, umas coisas acabam e outras começam. É um fim um bocado mentiroso".

Um conto de Manuel Alves...

Opinião:
 

Tudo começa com um desejo.
Um desejo não é uma vontade qualquer, é o sonho que mais se quer, é uma vontade com vontade própria. Tanto pode ser um gelado no verão como um beijo a correr na face enquanto chove lá fora.
A infância dá o primeiro passo. A vida surge como uma inesperada aventura. Uma jornada começa, talvez de forma elegante, mas sempre desafiante e sempre saborosa.
A adolescência é marcada pelas primeiras experiências em que a personalidade desenha a força destes desejos, cria os passos para o começo de uma nova jornada. Uma aventura nova começa e o mundo abre as portas para um desafio maior.
A vida é então vivida num sobressalto de loucura ou de prazer. Não basta querer, não basta desejar, é importante lutar pelo que se quer. Pode-se desejar mais que um desejo ou pode-se apenas sonhar que ele existe.
Os erros são para ser cometidos, não com tolerância de que tudo é aceitável, apenas aqueles que a alma te pede, aqueles que precisas para caminhar até à felicidade. Não feches os olhos, não desistas, a vida é mesmo assim, é para ser vivida ao limite. A vida é uma prova e não importa que não vivas tudo ou que tudo o que vivas é suficiente, importa sim, que no final te encontres com a vida, te sentes ao lado dela e te revejas, revejas nas tantas palavras, gestos, olhares, pensamentos, e que todos eles te remetam ao melhor de ti e que foi o melhor de ti que deste ao mundo.
A vida corre no tempo não abranda para esperar por ti, por isso, nunca deixes que ela te fuja, vive ao seu ritmo, corre com ela, sorri com ela e vive da melhor forma que a tua alma te pedir.
Quanto a amar, ama sempre o mais que puderes, aqueles que a tua alma partilhar e aqueles que o teu coração quiser abraçar.
Afectos? É a chave que abre as portas à felicidade. É feita de ouro por isso não a percas e cuida bem dela, é um bem precioso.

Um conto de fadas é sempre um conto de fadas, mesmo quando é inventado. É um conto que vivi alegremente pela sua passagem de palavras sinceras e carinhosas. Conheci pessoas, que tal como eu, sentem a fraqueza do fracasso, a alegria de ser esperada por alguém, a ternura por um afecto, a espera por um carinho, o desejo pela honestidade e a vivência de algo maravilhoso.
Uma história cheia de vida e conhecimento. Aqui fala o coração e não simplesmente a experiência.
Quanto ao conto de fadas, está numa árvore especial e na intensidade e responsabilidade dos desejos que se pede, na luta e na coragem de viver o dia-a-dia no seu desafio constante que é mesmo viver..



 fala o coração depois de gravado:

O meu desejo não se prende apenas com a recordação de um amor, mas pela recordação de que um dia nos amamos muito. Eu amei-te muito.
Se eu puder aqui sempre voltar e relembrar-te, eu lembrarei que um sonho não se desvanece com uma lufada do vento, mas que se mantém por tempos infinitos onde eu cresci dentro do teu peito e onde tu alimentaste o meu coração.
Porque um amor não deve ser esquecido mesmo quando já não é vivido.
Se eu voltar a te encontrar, a vida vai sorrir-me da forma mais curiosa e agradável.
Quanto posso desejar mais, senão relembrar-te e puder um dia te encontrar?
Por isso nesta linda árvore eu marco o meu amor, para saberes que me lembro e espero por ti.

O desafio não é acertarmos no tempo é não voltarmos afastar-nos....:D



Queres saber mais um pouco sobre o escritor? Aqui vai um segredo:

https://www.smashwords.com/books/view/283934
http://juroqueminto.blogspot.pt/ 

Ilustração de Manuel Alves