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domingo, 23 de março de 2014

Costa Portuguesa




Não queira o mar engolir essas terras de sumptuosos destinos,
Não lhe queira roubar as honras nem desígnios da sorte,
Não a fira com o seu rasgar de longo manto,
Não lhe esconda os segredos pisados em história,
Não lhe oculte a escultura em costa beijada.

Pois estas, são terras de saudade,
São relatos da verdade,
São tempos que pertencem à sua gente,
E nela conta a sua genuína identidade.

Não queira a terra deslizar sobre o mar que não o alimenta nem consome,
Não planeie prolongar-se no horizonte,
Não varra a natureza triunfante,
Não lhe esconda a majestosidade em bruto.

Queira apenas perder-se no seu regaço,
Queira apenas desprender-se e navegar por outros campos onde triunfa o mar,
Que sirva de manto aos corais e às velas rasgadas em sonhos perdidos,
Que perdure no seu rasto os vestígios de vontades conquistadas,
Que não se esqueça de devolver o que o mar já não carecer dela.

Pois no mar governa o silêncio infinito que não faz ouvir a terra,
e no mar vivem seres que nela não sobrevivem,
pois sem a terra o mar perdia-se no vazio,
e no vazio entristecia a terra sem o mar para brotar vida.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Estás longe...



Estás longe!
A tua ausência prolonga-se,
tão leve no ar e tão pesada no meu peito.
Conta-me em meneio
e esconde-me a saudade.
Como um terno fio de lã
seco e enrugado,
permanece a ânsia do encontro
e esperançosa e parada num recanto,
numa nostalgia sã
estende-se em manto
para se tornar num novelo obrigado.
Num beijo saudado,
numa louca angústia
a tristeza prevalece,
e em tom rude desaparece,
só porque os sentidos se impõem
só porque uma memória volta e um sorriso se compõe
e tenta assim esconder a outra face,
de um rosto amargurado,
de um rosto quebrado
de uma saudade imensa
tensa e constante
Estás longe!





Quinto império



Ficas-te célebre e unânime
Às tormentas do tempo e do mar,
Profundo e astuciosamente
Virás tu doce honra,
Belo virar.

A nós, vistes tu ó mensageiro
Entregar em nossos corações
A verdade e a esperança,
A ti, soldado da vida,
Entregamos o poder do futuro
O poder da perseverança,

Traz contigo
A exaltação das eras e da magia
Da mudança,
Esperamos por ti, pela tua missão,
Ó Rei, nossa crença

Aqui estamos nós a aguardar por ti, nosso rei
Por entre as passagens do tempo,
A preparar-nos para a grande batalha da nossa era,
A batalha da união e o regresso do amor
Aqui fareis pranto como vento
A escolha dos fies
Fiéis a ti e à saudade,

Tu que viestes de tão detrás,
Trazendo contigo as areias da vida,
Traçadas pelas pegadas do povo,
Virás tu, desmedido,
Agora espalhá-las
Pelo caminho das nossas ações
Trazendo um mundo novo.

Traz contigo a renovação, o amor e a partilha
Ó valente e eterno Rei,
O Rei do quinto império,
A alegria de uma nova vida.


em homenagem a Fernando Pessoa - "A Mensagem", o quinto império - 2007