Não queira o mar engolir essas terras de sumptuosos destinos,
Não
lhe queira roubar as honras nem desígnios da sorte,
Não
a fira com o seu rasgar de longo manto,
Não
lhe esconda os segredos pisados em história,
Não
lhe oculte a escultura em costa beijada.
Pois
estas, são terras de saudade,
São
relatos da verdade,
São
tempos que pertencem à sua gente,
E
nela conta a sua genuína identidade.
Não
queira a terra deslizar sobre o mar que não o alimenta nem consome,
Não
planeie prolongar-se no horizonte,
Não
varra a natureza triunfante,
Não
lhe esconda a majestosidade em bruto.
Queira
apenas perder-se no seu regaço,
Queira
apenas desprender-se e navegar por outros campos onde triunfa o mar,
Que
sirva de manto aos corais e às velas rasgadas em sonhos perdidos,
Que
perdure no seu rasto os vestígios de vontades conquistadas,
Que
não se esqueça de devolver o que o mar já não carecer dela.
Pois
no mar governa o silêncio infinito que não faz ouvir a terra,
e no mar vivem seres que nela não sobrevivem,
pois
sem a terra o mar perdia-se no vazio,
e no vazio entristecia a terra sem o mar para brotar vida.


