sábado, 23 de fevereiro de 2013

Tomada de Scalabis




Estamos no ano de 1147 do 1º. Reino de Portugal. O rei, D. Afonso Henriques, trouxera a conquista de novas terras e com elas a abundância de um reino novo.
As noites de após guerras que até então eram sombrias e geladas, negras de um gosto amargo, eram agora um pouco mais calmas acompanhadas de um ligeiro gosto meloso do tempo. 

As próprias nuvens afastaram-se brevemente revelando uma resenha de luar num desígnio que se esperava mudar o reino de Leão. Olhei para trás como um presságio, fitando os grandes portões. Sentira-o tão certo quanto a adrenalina antes de uma batalha. Aproximavam-se novos ventos. Junto com estes viria uma bênção para o rei, honrosas ações que entoariam nas canções para todos os tempos. 

Comecei a caminhar lento e curioso esperando a revelação.

O arqueiro levantou a imponente voz pedindo para quem lá estivesse se revelasse. “Um mensageiro” gritou. Parei abruptamente no largo do castelo, enquanto os grandes portões recuavam apressando a entrada do homem. Olhei o arqueiro que acenou levemente com a cabeça e recuou para fechar de novo os pesados portões. O mensageiro que se erguia valente e audaz, desceu do seu garanhão numa mestria prática e rotineira e mostrou-me uma carta com o selo de D. Pedro Afonso, fitando-me logo de seguida com alguma urgência do mandato. Como companheiro e homem de confiança de D. Afonso Henriques, rapidamente fi-lo acompanhar-me até à presença do rei. 

- Coimbra é uma cidade bela senhor – desabafara o mensageiro olhando vislumbrado das abadas do castelo e da decoração que por ele se mostrava.

Limitei-me a um educado aceno de cabeça e um sorriso modesto. Junto do grande salão, onde uma fogueira regurgitava de tamanha força, avancei até o meu rei.

- Vejam só. Entra entra Mem Ramires, bem-vindo sejas meu caro. Serve-te deste bom vinho e junta-se para ouvir o bardo e as suas quadras sobre a batalha de Ourique.

- Senhor sabeis que muito me honraria, mas faço-me acompanhar por um mensageiro enviado por D. Pedro Afonso.

- Meu irmão? – parou abruptamente fitando-me - Que novidades urgentes serão essas para enviar um mensageiro num tempo destes? Leva-o para a sala de reuniões.

-Sim senhor, com a vossa licença.

Num rodopio rápido e discreto dirigi-me ao mensageiro que me seguiu até um compartimento afastado do salão comum. Junto à porta da sala de reuniões, já aguardavam dois guardas e um criado acabara de se afastar depois de deixar um jarro de vinho, frutas e carne, e uma lareira que rapidamente aquecera a divisão. O rei apresentava-se ligeiramente ansioso junto da janela, escondendo as suas mãos pensativas atrás de umas costas direitas e imponentes.

- Senhor se me permites.

- Entra Mem Ramires, faz entrar o mensageiro.

Este entrou e numa vénia absoluta estendera o envelope visivelmente selado por D. Pedro Afonso. O rei abriu o pergaminho limpo e aquietara-se. 

- Muito bem mensageiro. Podes descer até à cozinha e toma um bom prato de sopa e vinho. Vou ordenar um farnel para levares para o caminho. Podes dormir umas horas antes de voltares para casa. Esta mensagem não precisa de resposta, podes ir.

- Sinto-me honrado com o Vosso gesto Senhor. Com a vossa licença.

- Espera Mem Ramires, não vás. Senta-te um pouco.

Olhei a última vez o mensageiro que acelerado avança direito à cozinha acompanhado de um criado. Quando me voltei vi um rei absorto em pensamentos, num lugar longínquo dali, onde o fogo era o portal do tempo a que este deixara-se viajar.

- Sabes meu caro, de uma vontade que trago comigo no meu peito e que ouço a voz de Deus? Não descansarei enquanto não conquistar aquelas terras de longos campos onde as searas são ricas, abundantes, onde as cores do salgueiro se misturam com o verde das sementeiras, o gado gordo e espalhado pela imensidão das terras negras, as melhoras para as agriculturas. Um planalto perfeito e estratégico, rodeado por solos férteis, o seu clima? ah..é ameno e com um rio, extenso e abundante, é de fácil navegação até à foz. Ah meu caro, que obra que torneou o tempo. E se quero conquistar Lisboa, antes terei de conquistar aquele ponto tão importante.
 
- Faleis de Scalabis senhor?

- Sim meu caro. Que as minhas forças sejam tão poderosas quanto a minha vontade. Meu irmão vem a caminho, dirige-se para paços de Coimbra com informações antes da próxima lua. Ele sabe quanto a vontade me encaminha. 

- Senhor, lembrais com certeza que Muhamed deixara a mulher. Os boatos espelham-se que a mulher arde em vingança. Será neste sentido que vosso irmão o venha visitar, que talvez tenha descoberto alguma informação e lhe queira dizer? Se assim o é, terá de ser demasiado importante para vir pessoalmente trazer-lhe boas novas ou informações. Além de que, estamos em tréguas com Muhamed. Poderá ser demasiado arriscado se lhe chegar aos ouvidos que tenhais algo a ver com a moura e que alguém, vossa gente, tem ligações com a mesma.

- As mulheres são boas espias meu caro, vejo que não desperdiças o teu tempo – ria o rei que estalava a sua euforia numas pancaditas nas costas erguendo-me – és bastante perspicaz Mem Ramires e confesso que muito penso nesta vinda inesperada e repentina de Pedro. Enviarei uma guarda ao seu encontro para os trazer em segurança. Mas algo tem de ser feito antes da vinda de meu nobre irmão. Sabes que te tenho como confidente, não poderia confiar esta missão a nenhum outro. As noites têm-me inspirado. Maldita seja se for loucura, mas sinto meu caro, que meu irmão me traz boas novas para a conquista de Scalabis. Em breve a estação irá abrir e afastar os ventos, não posso tardar mais esta diligência. Com os teus bons ofícios, envio-te para Scalabis, estuda minuciosamente todos os pontos das muralhas, estuda a cidade e encontra-me um ponto fraco. Iremos tomar a cidade numa distracção dos mouros. Conto contigo.

- A vossa ordem honra-me senhor, não vos deixarei ficar mal. Se me for permitindo, deixai-me partir ao levantar da alvorada para fazer os preparativos para a minha presença lá, precisarei de uma carroça e de um disfarce.

- Sempre a surpreender-me soldado? Qual será o teu papel desta vez? Não será a de um bardo, a tua voz denunciar-te-á imediatamente pela tua desafinação – sorria-me o rei enquanto me beijava o rosto - Leva o teu tempo, mas se puderes voa. Esperarei pelos teus resultados, mas se não chegares dentro de uma lua, receio que novas ordens possam-te encontrar.

O galo canta rouco e feroz como uma trombeta à véspera de uma batalha. Sonhara com a bandeira erguida enquanto novas canções se entoavam por novos campos iluminados de um sol novo. Um sorriso mudara-me o rosto e eu vi o rei numa satisfação escondida, uma vitória que abençoada, o fizera agradecer silenciosamente em orações secretas. Presságios de uma noite silenciosa ou desejos de um alma pedinte? 
A meu lado a mulher que me traz à vida mesmo na mais pura escuridão, procurou-me no leito, a despedida fora dura. Um beijo prolongado permaneceu apaixonado enquanto a sua ligeira mão tocava-me no peito, abracei-a e apertei-a mais um pouco para mim. 
Chegou a hora. Naquele momento, enquanto o sol se erga no pequeno quarto, acordando-me para uma missão iluminada, eu vejo que em vários momentos da vida sentimos o pulsar do destino aproximar-se, e que cada momento poderá ser o último.

Com as roupas velhas e rasgadas, no meu fato disfarçado, pego na carroça escondida nos recônditos na orla da cidade de Coimbra e começo a minha demanda. Uma viagem que levaria alguns dias até o seu termo. Evito as estradas para não ser assaltado ou afastado da minha rota, seguindo caminhos de comércios protegidos por guardas do rei, até entrar em territórios inimigos.

Quando ao longe vislumbro a cidade Scalabis, tapo a cabeça com o capuz e simulo a minha personagem, um viajante coxo. De origem moçárabe, entro na cidade sem problemas, trazendo alguma carga na carroça de produtos mouros. O novo dialecto indica-me que chegara mesmo ao centro da cidade. 

Avanço direito ao largo do mercado, onde as vozes altas se confundem na euforia dos criados que compram os melhores legumes regateando melhores preços. Deposito-me discretamente num canto onde os guardas mouros não se apercebam da minha presença. Começo por desemparelhar o cavalo que se afastara ligeiramente da carga e bebia água de uma poça que ainda não secara e fico a observar. Os guardas mouros circulavam em grupos de 2 ou 3 vigiando a população. Um dos mouros atingido inesperadamente por um encosto de uma criada, rapidamente se voltou e a esbofeteou e com um empurrão a ligeira moça caiu desafortunada no chão lamacento. Decerto teria estragado a mercadoria que trazia no regaço. Disfarçado de bufarinheiro, poucas foram as atenções voltadas para mim e eu pude durante aquele longo dia, contar os mouros que caminhavam pela zona do comércio, segurando a ponta da espada num orgulho acentuado. Depois de vários dias rotineiros naquele espaço, e após pagar bom preço para um guarda mouro oportunista deixar-me ficar ali naquele canto, apurei que os mouros trocavam de turnos após longas horas de trabalho, o que os deixava extremamente cansados. 

Nesta última alvorada passeara pelos campos alimentando o cavalo e meio perdido desci demasiado a encosta perto do castelo de Scalabis até ao limiar de uma alta muralha. Por entre altas árvores e extenso arvoredo que se via pouco amanhado, segui sozinho até uma brisa forte fazer-me recuar. Avancei mais um pouco e é quando vislumbro uma das mais belas vistas que os meus olhos tiveram a oportunidade de saborear.
Extensos campos prolongavam-se para lá do rio, onde o gado se misturava em campos agrícolas bem amanhados, desenhando o solo de uma perfeição fértil. Naquele momento eu ouvia as palavras do meu rei quando ele mesmo descreveu as terras de Scalabis com tamanha beleza. Pequenos barcos pescavam no rio que transbordava na abundância das searas, regozijando as hortas anteriormente assaltadas do seu avanço. Lá no cimo vozes soltavam-se no céu como a voz do próprio Deus, um aviso.

Percebi que estava mesmo abaixo do planalto da Alcáçova. Encostei-me à muralha de forma a não ser visto enquanto recuava ligeiramente trepando uma árvore. Apalpei as muralhas experimentando que delas me permitia trepar, mas estas eram ásperas, devidamente levantadas sem hipótese de subir. Do ponto que observava era demasiado arriscado, exposto e demasiado longe para trazer os homens do rei. Não poderiam tomar de assalto a cidade com tanta imprudência. Jurei para mim que aquele dia seria decisivo para encontrar um ponto favorável. Caminhei pela encosta em direção ao baixio da cidade. De encontro com a zona dos pescadores, ajudei a consertar uma roda que se partira pelo peso da carga do peixe, recebendo por preço 3 pequenos peixes. Agradeci e acendi uma ligeira fogueira.

Enquanto saboreava o assado aproveitei para observar as muralhas, a sua extensão e como eram realmente altas a norte do castelo. Percebi que à medida que as muralhas subiam no monte, estas iam ficando igualmente mais altas. Avancei no meu estado de coxo fingido até à beira do rio onde lavei o rosto e pescoço. Lá no cimo, podia ver que a muralha estava devidamente defendida na parte norte junto à Alcáçova, e que, ia enfraquecendo pela lateral, à medida que as muralhas ficavam escondidas pelas altas árvores por onde me perdi. As mesmas altas árvores que vão completando toda a extensão das muralhas até emaranharem-se na cidade. 
Precipitei-me por uma rua suja de lado de uma muralha a sul do castelo, fugindo à normal estrada ao lado das muralhas. Cauteloso, avancei olhando o terreno desnivelado e afastado da muralha, mas que pela visão, não se viam guardas ou mouros que lá circulassem. Não foi o meu espanto quando me dei de caras com uma vigília de guardas que castigavam um mouro ladrão. Quando deram pela minha presença, um dos guardas empurrara-me perguntando: “que estas aqui a fazer, também queres? Chega para ti”. Fingi ser um bêbado coxo que se enganara no caminho e fui obrigado a pontapé a descer a rua oculta para tomar rumo à normal estrada que subia do rio até ao mosteiro, retirando-me para o centro da cidade. Antes da expulsão, reparara que havia uma porta onde não tinha destino a nenhuma casa, apenas depositada ali no baixio da muralha numa rua escondida. Deixei cair a noite depois de uma boa sesta, comi e comecei a pensar naquela porta e se outras existiram que pudessem dar acesso direto ao castelo.

Quando só as passadas dos guardas vigilantes se ouviam nas pedras da estrada, bebi um bom trago de vinho, amortecendo as dores do golpe anteriormente sofrido, e segui acompanhado do silêncio da noite à descoberta de um ponto fraco no castelo. 
Atravessei as ruas curtas da cidade penetrando na escuridão da noite, apalpando as paredes e caminhando com cuidado. Avançando numa rua cruzada com outra, passadas de guardas ouviam-se a descer um atalho vindo de uma ponta da rua lateral, com o cintilar da espada no cinto. As ruas pareciam um labirinto de casas entre ruas estreitas. Recuei velozmente até à ombreira de uma porta que recuava na construção da casa criando um curto telheiro em toda a sua volta. Sustei a respiração a qual obediente respeitou a ordem. Os guardas que passavam por mim caminhavam atentos e silenciosos pela rua acima. Desconfortável na ombreira que mal me tapava, sustentando-me num degrau gasto, a bota escorregou ligeiramente soando um pequeno som. Os guardas pararam abruptamente. Um dos mouros retirou a espada que brilhou como que beijada por uma mecha de luar. Obriguei o corpo a suster mais um pouco a respiração, sentindo já um certo calor na cabeça que me assaltava com mais fervor com o receio de ser descoberto. Quando os guardas estão quase no meu alcance, deixei um pequeno punhal soltar-se na mão preparando-me para um ataque indesejado. Rapidamente calculei a distância até ao rio e como de lá me manteria escondido até puder fugir para Coimbra. O bafo dos mouros chegaram-me às narinas e quando julguei que fora descoberto, um gato assanhando atirou-se para a cabeça do mouro e correu rua acima, enquanto os guardas mandavam pedras ao pequeno animal que me salvara da desgraça. Agradeci a Deus por passar nesta diligência e ordenei-me a ser mais prudente e menos ansioso.

Deixei os guardas desaparecerem da minha visão e aguardando um pouco para que estes não recuassem da volta deliberada, voltei a descer aquele trilho escondido e emaranhei-me numa rua onde acabavam as casas. Desci urgentemente aquela estrada até perceber que fora ali o exato local onde naquela tarde eu encontrara o pobre mouro a ser maltratado por manifesto roubo de um pão.

Olhei as muralhas que se erguiam majestosas e altivas, adiantadas de um muro baixo com uma casa pegada à fortaleza. Dali não se via ninguém, havendo indícios que estaria abandonada. Trepei o muro baixio, e percorri aquela pequena distância de ervas altas e terras um pouco lamacentas. Perto se ouvia mais uma patrulha de guardas e rapidamente deitei-me entre as ervas bem recuado perto da abandonada casa. Desta vez não houvera barulhos ou descuidos e voltei a caminhada até à casa. Circundei a mesma não encontrando a presença de ninguém, subi ao telhado e calculei, "se conseguirmos erguer umas escadas, este ponto da muralha é o suficiente para subir até ao castelo".
Permaneci ali algumas horas enquanto a noite percorria os ventos violentos da estação e percebi que a patrulha dormia no local não patrulhando durante a noite aquelas zonas. Deixando uma réstia de luar abandonar os céus desci aquela abada da muralha até à estrada comum quando olhei de novo aquela porta. Conseguia ver que de alguma forma ela levaria ao castelo. E subindo o olhar às muralhas outra porta se mostrava mesmo na própria morada do castelo. Estaria encontrado o ponto fraco da antiga Santa Iria. Voltando à cidade, peguei na carroça e levei-a até ao castelo fingindo levar uma oferenda a Muhamed. Sabendo de antemão que seria imediatamente expulso, encostei-me a um ponto de uma casa encostada às muralhas e calculei o ponto a tomar de assalto e constatei, este local não é patrulhado de noite tal como lá em baixo. As muralhas revelavam algumas portas pelas quais poder-se-ia entrar, mas esta, era de facto a mais exata para o assalto mesmo por cima daquela que encontrara no baixio.

Pelas minhas contas nem 10 guardas patrulhavam esta zona do mosteiro de dia. Como esperado, fora imediatamente expulso do local. Para não levantar suspeitas abandonei a cidade de Scalabis e parti em direção a Coimbra. A minha demanda estava ali terminada. Precisaria de chegar até ao rei dentro de poucos dias. Seria uma viagem sem paragens. Vendi a carroça com as bugigangas a mouros do comércio obscuro, peguei no cavalo e comecei a viagem de regresso urgente. Em breve estaria de novo em casa.

Finalmente cheguei a Coimbra, vi os portões serem abertos e esperado pelo próprio Fernando Peres, que num abraço de boas-vindas encaminha-me a um confortável aposente onde espera-me um saudoso banho quente e uma refeição reconfortante. Dormo até ouvir o primeiro sino da manhã. Visto-me a preceito para apresentar-me junto do rei e é quando assisto à chegada de uma forte hoste que rodeou a larga praça trazendo no seu regaço o D. Pedro Afonso. Sustive-me numa honrosa vénia onde D. Pedro Afonso cumprimentara-me com agrado visível.

- Acompanhais-me valente Mem Ramires? Tenho ouvido excelências de tua pessoa. Este dia será de grande inspiração para o meu adorado irmão. E espero que estejam todos presentes para a revelação que trago.

- Suponho que esteja tudo a postos senhor. Meu senhor rei tem estado ansioso pela Vossa chegada, parece que trazes o milagre que o ajudará a conquistar as terras mais a sul.

- Se a noite não mudar e não levantar ventos agrestes nesta lua, então podemos viver esperançados que esse dia chegue soldado. Agora levai-me até Afonso e brindai-me com um bom vinho.

Esta é das mais importantes reuniões a qual sou sido autorizado assistir. E o tempo passou até que a lua voltou a cruzar o sol nos céus.

Foram relatadas novas informações acerca dos mouros na zona circundante a Scalabis. D. Pedro Afonso falava aceso quanto à imprudência de avançar para a conquista sem informações precisas e concretas sobre como diligenciar a empresa, enquanto, Fernando Peres mostrou o seu maior contentamento em avançar para a obra. Também Gonçalo Gonçalves, Lourenço Viegas, Pero Pais e Gonçalo Sousa reforçam o desejo do rei discutindo rotas olhando e expressando as suas ideias no mapa que se estendia longa na grande mesa, submisso e perspicaz nos caminhos até Scalabis. O rei permanecia silencioso, notava-se nas suas olheiras o cansaço e preocupação que o tomara nos últimos dias, talvez desde aqueles em que avancei sozinho para uma perigosa demanda. Voltara vivo e satisfeito com o resultado. Então permanecendo naquela atenção pelo meu rei audaz, este olhou-me e lendo os meus pensamentos, tomou a palavra.

- Meu caro Mem Ramires, julgo ser a ocasião certa para revelar do teu tão falado sumiço. Meus senhores, enquanto todos vós se debatiam por confrontos diretos, guerras em bandeira a hoste em direção a estas terras que desejo tomar, enviei Mem Ramires até Scalabis para observar os mouros, afim de, encontrar um ponto fraco para tomarmos a cidade. 

- Mandastes Mem Ramires, um moçárabe? Nem sequer é cristão – reclamava um dos senhores cuspindo para o lume que pareceu assobiar.

- Moçárabe ou não, é o homem em que mais confio nesta sala. Não esquecendo os elos que nos unem a todos, Mem Ramires converteu-se ao cristianismo e é o meu braço direito, confio na sua missão como se eu próprio a tivesse tomado. Sei que me traz boas informações. Queiras por favor apresentá-las, levanta-te e conta-nos.
Começo pelo simples relato da beleza dos campos, da abundância dos campos e searas e da força do rio, onde enquanto alguns bocejam do que parecia ser uma alegoria, para o rei pareceu ser a mais bela de todas as canções épicas:

– Naquela noite observei que, os turnos era longamente espaçados, e as patrulhas são feitas em grupos de apenas 2 a 3 homens. Durante todo o dia são patrulhadas 6 voltas em cada canto da cidade torneadas por outra patrulha que se dispõe noutro ponto até se cruzarem e trocarem de posição. À noite, apenas são patrulhadas as muralhas, nos baixios da cidade os soldados dormem nos pontos de patrulha. Se conseguirmos neste momento atravessar a cidade até à muralha conseguiremos chegar a um ponto mais fraco, não só, da visão dos mouros que patrulham o castelo, como sendo esta a zona menos amanhada e abandonada pelos habitantes, ficando esta depositada em imensa escuridão. Teremos de ser precisos e rápidos, avançando em pequenos grupos de cada vez para não sermos descobertos. Chegados lá acima facilmente tomaremos a cidade através da porta de Atamarma e levantaremos o estardante de D. Afonso Henriques no mais alto torreão do castelo.

- As tuas palavras trazem-me a força fugaz à concretização desta obra. Trazes iluminação de Deus, só ele te podia permitir ser tão bem sucedido nesta missão Mem Ramires, com a tua cautela e astúcia trouxeste a lufada de esperança a esta empresa. Muito bem senhores avancemos para a diligência.

- Assim seja meu irmão, mas se me permites revelo-te da minha presença aqui em Coimbra nestes iluminados dias, trago novidades sobre o alcaide de Scalabis.

- Muhamed? Que sabes meu irmão?

D. Pedro Afonso levantara-se rápido em direção à porta e fez um sinal a um dos seus guardas e no instante a seguir entrava uma figura completamente escondida por baixo de um vestido e de um véu. 

- Como te atreves a trazer Zuleiman até à minha casa meu irmão? Ousas rebaixar-me? Ousas trazer o inimigo até à minha própria casa?

- Não me ofenderei por tão grosseiras palavras quando as mesmas são frutos de sentimentos desprovidos de cuidado, e não causados pela minha pessoa. Como já deves ter ouvido falar, Muhamed abandonou esta moura. Despeitada, Zuleiman enviara-me uma mensagem através de um dos seus guardas e pediu-me um encontro com o rei de Portugal, diz ter informações importantes sobre a defesa do castelo que vejo, consolidar as informações de Mem Ramires. Aceitas que a moura apresente o seu testemunho e que parta livre?

- Arriscas-me a um ato de misericórdia quando nem sequer confio nas suas palavras?

- Se me permitires meu senhor rei, serei o seu interprete.

Levanto-me erguendo logo de seguida uma vénia respeitosa. O rei dirigiu-se a mim e acenou-me positivamente. Nos seus olhos apenas vi uma réstia de orgulho, não esperava nada de novo, porque na sua postura, D. Afonso Henriques já estava preparado para tomar Scalabis. Traduzi as palavras da moura que nunca se mostrou receosa pelas suas palavras brutas ou ofensivas, comovida e despeitada, Zuleiman revelara melhores informações que as minhas, mas que reforçavam o ponto de assalto já decidido, as portas que tomaríamos de assalto, os lugares que não eram patrulhados, o excesso de confiança pelas altas muralhas. Melhor, Zuleiman especificou exatamente a forma como eram mudados os turnos das patrulhas e quais os caminhos mais e menos percorridos. Como conhecia toda a cidade pelos dias que lá percorri, rapidamente tracei o percurso até à orla da muralha onde haveríamos de subir.

Decididos os companheiros de jornada e organizadas as necessárias provisões, o Rei, e os seus bravos homens, bem como, os seus cavaleiros, os presentes senhores na reunião anterior com excepção de D. Pedro Afonso, partimos de Coimbra ao dia 10 de Março de 1147. A hoste seguia lenta pelos caminhos fora da estrada do comércio.
No segundo dia de marcha, ouvi o senhor rei chamar Martim Mohab, e pouco tempo depois saiu do acampamento com mais dois homens a passo largo. Sabia de antemão que estes iriam anunciar aos mouros que as tréguas ficavam suspensas durante três dias. O risco era grande e a diligência era agora urgente. Chegados a uma cidade próxima do destino, o rei convocou todos os homens e proferir o discurso de rei antes do assalto final: 

“Combatei por vossos filhos e descendentes, que convosco eu próprio estarei e nada haverá, na vida ou na morte, que de vós me possa apartar(....)”. 

Num discurso onde senti um rubro da adrenalina e felicidade que se via o rei viver, confortei-me com um aperto de uma mão junto ao peito lembrando a bela mulher que deixara para trás sem despedida. “O homem para morrer honrado tem de morrer na tormenta de um aguçado gume de uma espada e não num peito deleitoso de uma mulher”, dissera um homem velho em tempos. Hoje, julgo que todas as batalhas são necessárias ao homem, mesmo aquelas, que passem apenas por ganhar um gesto carinhoso de uma mulher. Sentiria a sua falta. Mas sentia que tinha de honrar o meu senhor rei, que de tamanha confiança, confiou-me a mais importante tarefa e aquela que seria o ganho da diligência pela tomada de Scalabis. Depois de 4 séculos seria finalmente nossa.

A cidade já se vislumbrava ao longe quando no limiar da noite o rei mandou-nos refugiar num recatado monte onde num baixo arvoredo nos instalámos. Não foram acesas fogueiras. Foram dispostas pequenas patrulhas. Quanto aos restantes, pudemos dormir para recuperar as forças, comer o pão e carne duras e o vinho velho dos alforges. Chegada a alvorada do dia seguinte, o rei ainda andava de pé rondando de um lado para o outro onde se viam homens a fabricar várias escadas. Avancei direito a D. Afonso que estava ansioso.

- Meu senhor rei, vejo que o descanso não te tomou mesmo no silêncio da noite. Devíeis descansar para bem de vosso corpo. 

- Deus iluminou a minha diligência meu nobre cavaleiro, e sua força alimentou-me. Não tenho sono ou fome, senão aquela que me sustenta em tomar aquelas terras. Olha para esta brisa Mem Ramires, o rio acolhe a maresia da noite e a restante beijou os campos recompondo-os de frescura. Mandei os homens fabricar 10 escadas para cada uma ser confiada a cada dúzia de homens, e assim, é mais fácil trepar as muralhas, uma vez que, disseste que eram inacessíveis a pé. Já ordenei o avanço dos melhores 120 homens. Ao anoitecer seguiremos a marcha e tu irás conduzir-nos o resto do caminho até ao ponto decido meu companheiro. Revelo-te meu caro que na serra dos Albardos prometi erguer um mosteiro se Deus me permitir a vitória.

- Farei o meu melhor meu Rei, isso eu vos prometo a vós. Levarei os vossos homens a salvo rumo e trazer-vos-ei para vosso orgulho e honra a conquista de Scalabis.

- Eu também lutarei Mem Ramires, é um sonho meu, são homens meus que se arriscam pela loucura deste seu rei.

 - Senhor ireis arriscar-vos numa diligência que ainda desejada ao seu sucesso, tem o seu risco? Não permitirei que a morte vos assole.

O rei sobrepôs uma mão em cada ombro, segurando-me firmemente.

- Prefiro morrer a não tomar esta cidade. Não há qualquer motivo ou razão que mude a minha ideia. Além de que, os monges de santa cruz rezam pela nossa vitória. Que rei sou eu que entrega um sonho nas mãos de outrem sem erguer a minha espada pelo seu sucesso? Porque razão chegámos até aqui hoje Mem Ramires? Se é loucura ou orgulho não sei, mas acredito que o nome dos heróis que ouvimos entoados nas canções não atingiram a sua popularidade por ordens medrosas de perderem suas vidas, antes desafiaram a riqueza das suas inspirações, iluminados por forças que transcendem à sua própria existência e alcançaram grandes feitos, julgo já não ser apenas a minha vontade que comanda a minha mão. 

- Então serei o primeiro cavaleiro a trepar as muralhas que se virem ser tomadas fazendo erguer as escadas ao seu assalto. Dizei-me senhor, hoje é o último dia dos 3 dias de suspensão das tréguas que desejais fazer?

- Sei que não é digno de um rei conquistar um castelo enganando o seu alcaide, mas não há alternativa nem outra forma de o fazer. Pela informação que me chegou, como não atacamos dentro deste prazo, o alcaide diminuiu o reforço das patrulhas e voltou tudo ao normal, atacaremos amanhã quando todos acharem que não haverá qualquer perigo para eles.

O rei abraçou-me recolhido nas minhas palavras enquanto o meu coração se apertou de tamanha responsabilidade.

Procurei igualmente arranjar inspiração em alguma mestria do destino, mas esta mantinha-se em segredo, por isso, ajudei no arranjo das escadas e rapidamente a lua levantou nos céus. 

Chegou a hora. 

A ordem não foi dada, porque parecíamos todos ouvir no silêncio da noite que aquela era a hora que o rei ordenara para avançar. Seguimos por monte iraz e passamos à fonte de Tamarmá. Ao longe no alto do horizonte erguia-se a alcáçova do castelo de Scalabis. O nosso destino. Teriam nesta altura, já terminado os 3 dias de suspensão das tréguas.

Chegados perto do ponto que se estabelecera, comigo avançou uma pequena hoste até ao muro baixio. Pelas contas a patrulha mudaria de turno e cruzar-se-ia ali mesmo, e quando assim o foi, escondemo-nos nas ervas altas na escuridão da noite. Confirmei que os mouros andam calmos pelas ruas da cidade, a confiança e uma segurança certa por não esperar qualquer ataque, tal como, a moura revelou no seu arejo ao Rei em Coimbra.

Julgando Muhamed que o rei desistira de qualquer confronto, diminuiu o número de guardas e aliviou a patrulha numa certeza tranquila de que o castelo não sofria qualquer perigo. Ainda que este se tenha tornado um factor a nosso favor, o céu esta noite foi liberto do manto de chuva e o luar reluzia com mais luz o que se tornou num risco para denunciar a nossa presença.

Parecíamos reluzir no espelho do céu. Seria apenas necessário que os mouros olhassem para cima para prever o prévio ataque. Nesse momento tive a certeza que o Rei tinha razão, já não éramos apenas seguidos pela vontade de um só homem, uma vontade superior comandava as nossas forças.
Aguardámos um pouco e então a patrulha veio descendo a rua, parou ali mesmo em frente para beber um gole do alforge, enquanto a hoste sustinha-se silencioso e quieto nos seus lugares. Reparo que aquela não era uma paragem temporária, mas um local de vigia. 

- Que vamos fazer Mem Ramires? – perguntou um soldado gelado no meio da erva fresca da noite.

- Vamos aguardar que os mouros adormeçam. E espero mesmo que assim seja ou teremos de mudar os planos.

Esperamos gelados os soldados que ocultos, olham atentos os mouros que no posto de vigia teimam em não adormecer. Senti friamente o sangue gelado do Rei e o coração tremeu-me se a diligência se revelasse frustrada logo no começo. Puxei de um punhal que vigorosamente juntou-se ao nível da perna e comecei a esgueirar-me pelo arvoredo. Não tinha alternativa senão matar os mouros ou em breve o sol rebentaria no horizonte e então seria muito mais difícil concretizar a obra. Moqueime agarrou-me no braço e puxou-me para baixo mesmo a tempo. Uma patrulha desceu a rua e parando perto desta vigília, levou dois mouros que lá estavam. Restando apenas outros dois de guarda. Aguardámos enfim que estes adormecessem, encontrando-se um dos mouros completamente bêbado.

 Quando desta feita, e tomada a certeza do silêncio, prova que os mouros negligenciavam da vigília, aproximei-me da casa abandonada, subi ao seu telhado e puxei de uma lança. Prendi com segurança a escada ao topo do muro e suspirei enquanto os meus companheiros olhavam em volta, subi para a estrutura.
Ao subir a escada, sinto os pés escorregarem num castigo horrendo e juntamente com tal estrutura caio num estrondo imenso mesmo no telhado da casa. Rapidamente fui puxado para dentro do arvoredo onde consigo vislumbrar que o mesmo fora igualmente feito à escada.

Os mouros de vigia levantaram-se num sobressalto. Voltei-me sorrateiramente para estes que olhavam em redor. Vi o resto da hoste completamente oculta como se dali tivessem desaparecido como um bafo mágico. Os mouros caminharam para cada ponta da rua, conversando e observando sobre alguma irregularidade. Aquele momento pareceu durar uma eternidade. Dali a instantes os mouros voltavam às suas tendas e dali nada se viu ou ouviu.

- Estás bem Mem Ramires?

- Não temos mais tempo. Chega-te aqui Moqueime.

Subi rapidamente para os ombros de Moqueime, um soldado de uma estrutura larga e atlética, o qual me permitiu prender uma escada ao topo do muro. De imediato, sentindo a escada segura subi sem hesitação pela estrutura sentido de perto as histórias que as muralhas contavam. Seguido por mais alguém, levei comigo o pendão real.

Num esforço prolongado tentei abrir a porta da muralha e quando assim o fiz os mouros que acordados pelo barulho e aqueles que vigiavam no cimo da muralha, gritavm em ordem: “Manhu? Manhu”. Do cimo da escada olhei a hoste do rei e fiz sinal para avançarem, dali consegui descobrir um intenso brilho do olhar de D. Afonso Henriques que no momento parecia vingar-lhe no sangue a vontade do próprio Deus.
Não chegara a traduzir a pergunta “quem está ai”.
As restantes escadas forram içadas Às muralhas e soldados cresceram-lhe nas suas estruturas. Atrás de mim seguiram os meus companheiros de luta que empunhando a espada, vingávamos as nossas gentes e conquistávamos a frutuosa cidade dizimando as gentes mouras. Enquanto seguimos a mote matando quem de sangue mouro se apresentasse, atrás desciam alguns soldados que se dirigiram à porta de Atamarma para fazer entrar a restante hoste e nosso rei.

Numa luta que de rápida adrenalina cresceu, a bruta força onde sustinha a audácia e orgulho pelo rei, olhava a mote daqueles mouros e num tomar de outras forças garrado de inspiração e bravura o sangue bombeou forte e entusiasmante e gritei em sinal do ataque: “Santiago e rei Afonso”. 

Os mouros confusos e surpreendidos apenas gritavam: “Nazarenos, Nazarenos”, nome pelo qual, somos conhecidos. Agitados e não estando preparados, poucos eram os mouros que naquele momento ostentavam as armas em defesa do castelo, o que se tornou facilmente domável. Lá em baixo ouvi a voz do meu rei senhor erguendo-se e o céu abriu para ecoar as suas palavras:

- Por Santiago e a Virgem Maria, caros companheiros de luta avançai ao inimigo e expulsai-o destas terras. Matem todos os mouros, tomemos Scalabis.

Os gumes das espadas cantavam numa força bruta entre a vontade e o horror, assumidas de um tom sangrento onde esquecêramos as lamentações daqueles que retiramos a vida, ecoando apenas a voz do rei, da razão do ataque, enquanto uma estranha melodia esvoaçava pelos céus como um lamento pelo passado, pela tomada dos mouros e todos os anteriores desonrosos governos de Scalabis. 

Esta é uma terra de Deus e apenas aos cristãos é permitida a sua entrada e subsistência. Essa certeza erguia-se na força das espadas que bravamente debatiam-se por uma vitória mais que desejada, os mouros igualmente viam o seu fim, e dali apenas restava lutar pelas suas vidas e do seu patrono.

Ouviam-se finalmente os gritos fervorosos dos soldados que conseguiram partir os ferrolhos da porta de Atamarma com ajuda de um malho de ferro, assim gritava Moqueime, e a hoste entrou decidida pela ruma acima matando todos os mouros que se opunham ao ataque. Rapidamente muitos soldados, meus companheiros da obra, lutavam a meu lado, enquanto grande parte da hoste já seguia direito à cidade completando a ordem do Rei.
Quando me dirigi finalmente ao alto torreão do castelo vi o meu senhor rei de joelhos orando a Deus num profundo agradecimento pela vitória. Ergui-o enquanto levantava o seu estandarte e cumpri a minha promessa. Enquanto o estandarte real dançava num vento orgulhoso, personificando a alegria da nossa vitória, todos nós assistimos ao soberbo amanhecer do altivo castelo com vista para os campos de Scalabis.

Uma salva ecoou pelos campos que resplandeciam na sua cor laranjada na matina anteriormente húmida e fresca. Uma brecha de sol reluziu para o castelo abençoando o rei e a sua hoste. Das mãos do Rei concretizara-se uma vontade divina e um futuro reluzente se apresentou nas asas do destino que em breve se mostraria completamente concretizado do seu prenúncio. Conseguia sentir o rubor do Rei que dali, seguiria para a conquista de Lisboa.



É com muito orgulho que partilho aqui uma belíssima pintura, da perspetiva dos campos da lezíria para as portas do sol, no altivo monte, onde outrora existiu o castelo de Santarém, da autoria de Ana Simões. 
Obrigado Ana.





9 comentários:

  1. Através da pessoa de Mem Ramires, e utilizando um pouco de ficção, compus este conto sobre a tomada de Scalabis por D. Afonso Henriques que data a 1147.

    Com base no relato de Alexandre Herculano e de várias pesquisas, que infelizmente, de pouca existência e descrição.

    As minhas pesquisas tiverem em conta os seguintes sites:

    http://castelos2deportugal.no.sapo.pt/santarem.htm
    http://andancasmedievais.blogspot.pt/2011/07/conquista-de-santarem-iii-o-ataque.html

    Espero que gostem...:)

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    1. Acrescento um link que me faltava:
      http://www.ribatejo.com/hp/base/cgi-bin/ficha_facto.asp?cod_facto=43

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  2. Excelente texto Carla, gostei muito.
    Desconhecia por completo a história da tomada de Santarém.
    De facto os portugueses desse tempo, eram uns bravos.
    Parabéns :)

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    1. obrigado São..^_^

      Só lamento já não existir o castelo de Santarém..

      Fica a história, prova dos feitos dos corajosos e bravos Portugueses.

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  3. Olá,

    Bolas que belo conto Carla, mesmo sendo baseado em factos verídicos, gostei bastante da forma como descreveste a tomada de Santarém.

    Bela personagem Mem Ramires :)

    Muito bem parabéns pelo texto ;)

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  4. Obrigado Fiacha. Gostava de ter passado mais informações sobre Santarém naquele tempo, mas confesso que, não existem relatos, e presumo que Santarém esteja bastante diferente do que era em 1147, começando logo pelo facto de já não existir o castelo.

    Existem limitadas referências e garanto que se eu não fosse desta zona, jamais encontraria o que em tempos foi a porta de Atamarna.

    Mas enfim, fica uma pequena e simples descrição do que se passou :D

    Bem-vindos a Scalabis com recantos medievais lindíssimos :)

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  5. Miga está muito bonito o conto, e como o Fiacha disse bela personagem Mem Ramires. :)
    Criaste uma bela hestoria sobre a tomada de Scalabis até porque realmente não existe muitos relatos. E a imagem que escolhes te das muralhas, as portas de sol, ta muito gira. Pena ja ter o castelo mas sem duvida miga que a nossa zona é muito bonita, e Santarém tem muitas coisas que vale a pena ver. :) Santarém a capital do gótico.
    Belo conto miga, a sério.

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  6. Miga obrigado :D tal como eu, conheces bem a beleza da nossa terra, mesmo há pouco tempo, tivemos na Fonte das Figueiras, outro lugar lindíssimo perdido no arvoredo das estradas de Santarém, um resto de uma muralha com uma fonte que escorre alegorias de outros tempos ^_^

    Infelizmente não consigo imaginar ali o castelo, muito menos o que dele rodeava, de tão diferentes que eram aquelas ruas/esquinas/cantos e portas, não obstante, julgo ser possível viver, imaginando, o encanto que naquele tempo já era Santarém, a para sempre Scalabis..:D

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  7. Ois,

    Realmente um pormenor me escapou o desenho feito pela Ana, eu que adoro o bom vinho Lezirias :D, que foi o seu desenho no final, mais uma vez tenho que lhe dar os parabens, tem imenso talento para o desenho.

    Justa homenagem Carla ;)

    Bjs e queremos mais novidades :D

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