sábado, 23 de fevereiro de 2013

Trilogia de Sevenwaters, Juliet Marillier



Vou partilhar convosco algumas histórias que me inspiraram tanto na minha leitura como na minha vida.

Quando pego num livro e deambulo pela sua história, a maior admiração que tenho é que foi uma agradável surpresa, não só, pela história que terá sempre algum brilho satisfatório, mas essencialmente pela capacidade imaginativa do ser humano, que variando de pessoa para pessoa se transforma numa arte maior e mais bela.

Os livros de Juliet Marillier são sempre uma agradável surpresa. Conseguimos inconscientemente viajar pelas suas palavras e ingressar na própria história, vivendo cada personagem.
Que bela arte de navegar por uma história fantástica e acontece sempre com os livros desta escritora.

Mas quero-vos também dizer que o sonho deambulante, não é só, provocado pela boa composição das palavras, nem pelo brilho das histórias de amor que nelas versam, e que também não se deve somente às boas técnicas de estratégia, mas também, porque ao ter conhecido pessoalmente a escritora, percebi que muito dela é revelado nos seus livros, a sua boa composição de caráter, o seu brilho na simpatia e simplicidade e na boa técnica de conhecimento que aplica na sua vida tão equilibrada e que nos lega de uma forma mais saborosa, mais fantástica.

Não sou conhecedora de todas as histórias de fantasia, mas para mim, não importa o tamanho desafio, as inúmeras lutas e batalhas, é importante sim, a simplicidade do conhecimento que pode ser revelado de uma forma tão equilibrada, com antigas leis, em curiosas lendas, escritas em desejáveis histórias de amor, numa leitura com um brilho que deixa saudade. Isso nem todos os escritores conseguem fazer, deixar saudade por um livro.
Assim são as histórias de Juliet que terna e carinhosa, passa a mesma beleza e simplicidade para as suas histórias. 

Histórias que nos encontramos com elas na sua magnitude e perfeição. Histórias muito equilibradas que reportam à excelência Celta da velha Bretanha, o que transforma as histórias verdadeiramente mágicas e emotivas.
Histórias que me mostram que existe um mundo mágico para além do mundo vulgar dos homens. Um mundo habitado por heróis, gentes bravas, histórias e vidas que pisaram trilhos de sabedoria, vivências fortes, que legaram bons valores, trazendo algo de novo a este mundo aparentemente simples.

Afinal de contas, apercebemo-nos que podemos ter surpresas e aventuras igualmente interessantes, intensas, renovadores e agradáveis na nossa vida comum. 
 E citando George R. R. Martin em "As Crónicas de gelo e fogo":
 "Um leitor vive mil vidas antes de morrer. O homem que nunca lê vive apenas uma".
Porque não viver um pouco mais e de uma forma bem mais fantástica?

Vou apenas deixar-vos uma pitada de cada história da 1º e 2º trilogia de Sevenwaters:





Sinopse: Passada no crepúsculo celta da velha Irlanda, quando o mito era Lei e a magia uma força da natureza, esta é a história de Sorcha, a sétima filha de um sétimo filho, e dos seus seis irmãos.

O domínio Sevenwaters é um lugar remoto, estranho, guardado e preservado por homens silenciosos e Criaturas Encantadas que deslizam pelos bosques vestidos de cinzento e mantêm as armas afiadas. O maior perigo para este idílio vem de dentro: Lady Oonagh, uma feiticeira, que casou com o pai de Sorcha, senhor de Sevenwaters. Frustrada por conseguir encantar todos menos a enteada, Oonagh lança um poderoso feitiço sobre os irmãos da rapariga, que só Sorcha poderá conseguir quebrar. Porém, a meio da pesada tarefa de libertar os irmãos, Sorcha é raptada por um grupo de salteadores, e ver-se-á dividida entre o dever de salvar a vida dos irmãos e um amor cada vez maior, proibido, pelo senhor da guerra que a capturou. 

A minha opinião: No limiar Celta da velha Irlanda, numa terra de antigas criaturas encantadas, em Sevenwaters vive Lorde Colum e os seus audazes 7 filhos.
Sorcha foi a única filha, e sendo a mais nova, cresceu doce e perspicaz pelos campos de Sevenwaters protegida pelos seus maravilhosos 6 irmãos. Mas as criaturas encantadas da floresta espreitam o povo de Sevenwaters e marcam o caminho das suas mulheres que bravamente vivem um destino intenso de prova.
Há areias que correm rápidas na ampulheta, e por isso, o destino também corre mais rápido, sem ajustar as pontas do destino ao tempo amadurecido do caminho dos viajantes da vida. Mas as areias do tempo não correm sem que outras nelas se cruzem, e muitas se cruzaram na vida de Sorcha, até o seu destino tornar-se honesto e merecedor da desejada paz. No meio da dor e da fé, enfrentou a sua própria ampulheta para concretizar a vontade da Deusa em troca do seu tesouro mais valioso.
Uma dura jornada para salvar os seus seis irmãos de um terrível feitiço de sua madrasta a Lady Oonagh, uma poderosa feiticeira negra do outro mundo. No meio desta demanda Sorcha foi capturada por Red e John que mudaram a sua vida para sempre. As suas escolhas marcaram o seu caminho de uma forma que jamais esta imaginara. Escolhas difíceis foram tomadas, algumas delas que levariam a consequências que o futuro não perdoaria, mas a paixão vivida é tamanha e tem mais peso que qualquer ouro. E a partir daí, foram escritas novas histórias.
Não é só a experiência que vivemos da vida dura de Sorcha, nem os desafios honestos e honrosos que cada personagem vive, mas também, as histórias da velha Bretanha que aparecem saborosas no meio da história. Aprendemos a gostar de Sevenwaters como um lugar onde qualquer um desejaria viver.
É o inicio de uma sequência de histórias fantásticas, onde mulheres de Sevenwaters escrevem as suas páginas. Ama-se todas elas, todas que vivem um destino diferente, mas sempre sob o feitiço das criaturas encantadas.




Sinopse: As florestas de Sevenwaters lançaram o seu feitiço sobre Liadan, a filha de Sorcha, que herdou os talentos da mãe para curar e penetrar no mundo espiritual. Os espíritos da floresta avisam-na de que, para que as ilhas sagradas sejam reconquistadas aos Bretões, Liadan deverá permanecer em Sevenwaters.
A Irlanda está agora em guerra, e as suas costas são assoladas por atacantes. Entre os inimigos há um que se destaca: o Homem Pintado, que granjeou uma reputação terrível de mercenário feroz e astuto, e que espalha o terror por onde quer que passe.
Ao regressar a casa, Liadan é capturada pelo Homem Pintado. Porém, este acaba por se revelar bem diferente da lenda, e apesar da antiga profecia que a obrigava a permanecer em Sevenwaters, a jovem sente-se atraída por ele. Mas poderá ela viver o seu amor sem que a maldição recaia sobre Sevenwaters?

A minha opinião: No livro II, temos a filha de Sorcha, que herda os talentos da mãe, e é igualmente marcada de um destino de prova. É capturada para salvar um membro de um bando de assassinos marcados cada um com uma tatuagem de um animal que identifica a sua força. Homens de vidas duras, pagos para trabalhos que só estes o conseguem fazer. Liand acaba por conhecer o chefe duro, diligente e bravo, o homem pintado. A jornada de Liand começou quando se apaixonou por este homem onde numa profundidade emotiva descobre-lhe um passado muito curioso e familiar. Numa coragem astuta e brava mostra que o mundo nem sempre é feita de histórias com páginas felizes, mas soltas e por vezes desonestas, que os caminhos nem sempre seguem trilhos direitos ou coloridos. Numa ardente e proibida paixão de sua irmã Niam, Liadan desafiou as proibições à felicidade do amor impostas pela sua família, e ao ajudar Niam, destinos se romperam, outros se encontraram, outros permaneceram suspensos no tempo para num outro dia decidir. Sevenwaters provou novamente as forças das criaturas encantadas. O passado nunca é esquecido porque caminha com o presente e por vezes é lembrado nos ventos do futuro. Mas quando se vivem momentos felizes, viver já não custa assim tanto. Aqui vivemos um amor forte, vivemos os conflitos de uma guerra para que as ilhas sagradas sejam reconquistadas aos Bretões. E quanto ao filho das sombras? Quem será? Que profecia é esta que comanda a vida destas personagens? Só posso afirmar que será uma surpresa verdadeiramente agradável. Um filho que iremos adorar até ao final de toda a saga de Sevenwaters.




Sinopse: Fainne foi criada numa enseada isolada da costa de Kerry, com uma infância dominada pela solidão. Mas o pai, filho exilado de Sevenwaters, ensina-lhe tudo o que sabe sobre artes mágicas. Esta existência pacífica é ameaçada pelo surgimento da avó da rapariga, a terrível lady Oonagh, que se impõe na vida na neta. Com a perversidade que a caracteriza, a feiticeira informa Fainne do legado que traz dentro de si: o sangue de uma linhagem maldita de feiticeiros, incutindo na jovem um sentimento de ódio profundo e, ao mesmo tempo, incumbindo-a de uma tarefa que a deixará aterrorizada. Enviada para Sevenwaters com o objectivo de destruí-la, Fainne irá usar todos os seus poderes mágicos para impedir o cumprimento de uma profecia.

A minha opinião: No livro III temos a filha da profecia. Uma personagem que cresceu para um outro objetivo das criaturas encantadas. O elo com o mundo das criaturas encantadas vai-se tornando cada vez mais estreito e próximo de Sevenwaters. Fainne é a neta da poderosa feiticeira negra, Lady Oonagh, aquela que lançou o feitiço aos 6 irmãos de Sorcha e os transformou em cisnes. Mas Fainne é igualmente neta de Sorcha. Uma luta diária no seu sangue vai defini-la e fazê-la escolher entre o bem ou o mal, onde forças poderosas se podem mostrar e alterar o destino de Sevenwaters. A amizade e o amor caminharão com ela na sua luta. É uma personagem importante porque vai desvendar a profecia de Sevenwaters, conhecida desde o tempo de Sorcha, e que se vem construindo desde então. É a derradeira revelação da profecia e finalmente se decidirá quem vencer a conquista das ilhas sagradas.





Sinopse: Os chefes de clã de Sevenwaters são há muito guardiões de uma vasta e misteriosa floresta, um dos últimos refúgios dos Tuatha De Danann, as Criaturas Encantadas que povoam as velhas lendas. Aí, homens e habitantes do Outro Mundo coabitam lado a lado, separados pelo finíssimo véu que divide os dois reinos e unidos por uma cautelosa confiança mútua. Até à Primavera em que Lady Aisling de Sevenwaters descobre que está grávida e tudo se transforma.
Clodagh teme o pior, uma vez que Aisling já passou há muito tempo a idade segura para conceber uma criança. O pai de Clodagh, Lorde Sean de Sevenwaters, depara-se com as suas próprias dificuldades, vendo a rivalidade entre clãs vizinhos ameaçar as fronteiras do seu território. Quando Aisling dá à luz um filho varão ¿ o novo herdeiro de Sevenwaters ¿ Clodagh é incumbida de cuidar da criança durante a convalescença da mãe.
A felicidade da família cedo se converte em pesadelo quando o bebé desaparece do quarto e uma coisa não natural é deixada no seu lugar. Para reclamar o irmão de volta, Clodagh terá de entrar nesse reino de sombras que é o Outro Mundo e confrontar o poderoso príncipe que o rege. Acompanhada nesta missão por um guerreiro que não é exactamente o que parece, Clodagh verá a sua coragem posta à prova até ao limite da resistência. A recompensa, porém, talvez supere os seus sonhos mais audazes...

A minha opinião: No livro IV temos uma surpresa do mundo das criaturas encantadas. A barreira outrora entre as criaturas encantadas e as gentes de Sevenwaters é agora um fino pano facilmente penetrável por aqueles a quem o destino marcou. É neste livro que entramos no outro mundo, conhecemos as suas fantásticas criaturas e conhecemos o seu governo. Conhecemos de perto os Tuatha De Danann. Cathal vai ser a chave para uma luta que não acabará tão cedo. Do seu destino caminha a bela Clodahg que sempre pensou ser uma dona de casa, mas que, irá ser posta à prova onde a coragem não irá chegar. Vai viver uma aventura no mundo encantado para resgatar o seu irmão e herdeiro de Sevenwaters que fora raptado e trocado por um bebé de folhas e paus, onde só Clodagh e Cathal percebem que tal conjunto é um ser vivo, um filho de uma criatura encantada. Quando achamos que o destino não pode ser mais ambicioso, é quando este se revela mais audaz. Entre o conflito com clãs vizinhos ameaçar as fronteiras do seu território, vivemos uma intensa jornada de Clodagh onde serão reveladas identidades. São páginas intensas cheias de aventura, onde tanto odiamos como no momento a seguir amamos profundamente as personagens.





Sinopse: Sibeal sempre soube que estava destinada a uma vida espiritual e entregou-se de corpo e alma à sua vocação. Antes de cumprir os últimos votos para se tornar uma druidesa, Ciarán, o seu mestre, envia-a numa viagem de recreio à ilha de Inis Eala, para passar o Verão com as irmãs, Muirrin e Clodagh.
Sibeal ainda mal chegou a Inis Eala, quando uma insólita tempestade rebenta no mar, afundando um barco nórdico mesmo diante dos seus olhos. Apesar dos esforços, apenas dois sobreviventes são recolhidos da água. O dom da Visão conduz Sibeal ao terceiro náufrago, um homem a quem dá o nome de Ardal e cuja vida se sustém por um fio. Enquanto Ardal trava a sua dura batalha com a morte, um laço capaz de desafiar todas as convenções forma-se entre Sibeal e o jovem desconhecido.
A comunidade da ilha suspeita que algo de errado se passa com os três náufragos. A bela Svala é muda e perturbada. O vigoroso guerreiro Knut parece ter vergonha da sua enlutada mulher.
E Ardal tem um segredo de que não consegue lembrar-se - ou prefere não contar. Quando a incrível verdade vem à superfície, Sibeal vê-se envolvida numa perigosa demanda.
O desafio será uma viagem às profundezas do saber druídico, mas, também, aos abismos insondáveis do crescimento e da paixão. No fim, Sibeal terá de escolher - e essa escolha mudará a sua vida para sempre.

A minha opinião: Sibeal, uma das filhas de Sevenwaters, cresceu com o dom da visão para um caminho evidente de druida e assim destinada ao caminho espiritual. Quando é enviada por Ciarán, o seu mestre, para a ilha de Inis Eala para passar uns tempos com suas irmãs antes da derradeira decisão, vai ser surpreendida por um navio com estranhos tripulantes. Novos sentimentos foram trazidos pelo vento, caminhos curiosos e estreitos, que irão levar Sibeal para novos caminhos, perigosos, e renovadores. Quanto às criaturas encantadas, elas não existem apenas na floresta de Sevenwaters. Quem ou o que será será a bela Svala? Será uma paixão maior que a sua vocação? Como se recupera um passado? Como salvar o presente? E que importância terão as criaturas encantadas no mundo?




Sinopse:


"Dez anos depois do terrível incêndio que quase lhe custou a vida, Maeve, filha de Lorde Sean de Sevenwaters, regressa a casa. Traz nas mãos disformes as marcas desse acidente e dentro de si a coragem férrea de Liadan e Bran, os pais adoptivos, e um dom muito especial para lidar com os animais mais difíceis.
Embora as cicatrizes se tenham fechado, Maeve ainda teme as sombras do passado — e o regresso a casa não se faz sem dificuldades. Até porque Sevenwaters está à beira do caos".

A minha opinião:

Terminada a leitura do livro último de uma bela história, fiquei com um vazio, um vazio que não foi preenchido pela própria história. Não por culpa de qualquer falta da sua exuberância profunda que se estende para além das palavras, que continua a existir, mas por terminar de forma a deixar um espaço, um espaço para sonharmos, porque continuamos a esperar que nos seja contado o resto da história, do que aconteceu às personagens. Todos os fins são feitos de forma a serem tão reais, uma história que terminou não no fim de tudo, mas apenas num momento que se viveu, e aquele em que importa pensar, ponderar e repensar em tudo e merecer aquela oportunidade de construir o resto a partir dali como bem desejarmos.

Um momento em que se deseja agarrar a sua vivacidade e continuarmos espectadores da primeira fila de um futuro que nunca se espera perfeito, mas por aquele que se tenta e se espera que seja feliz, completo de emoções boas e experiências passadas enriquecedoras. Posso dizer que foi um livro que me levou a recordar Fainne, na sua forma de contar a sua própria história dentro de uma outra tão grande e complexa. Tudo se desenrola pelas palavras de Maeve, da qual, nunca houve dúvidas da sua coragem. Mas talvez a coragem também se torne um hábito da aceitação pelo que se é. E mais tarde, vimos a descobrir que é a centelha do destino que trabalha muito tempo antes dos seus nós se enrolaram ou de se desfazerem nas suas próprias mestrias de conhecimento e sabedoria. Neste livro a intenção não foi de todo despedirmo-nos de Sevenwaters.

E a verdade, é que, como o poderíamos fazer? Não pode de forma alguma este lugar ficar esquecido, deve sim, ficar na memória, porque as suas lições são uma oferenda para as levarmos diariamente na nossa vida, e não apenas, para sabermos que podemos continuar em frente. No fundo, foi apenas para deixar o consolo de que tudo nesse lugar que, nos parece tão vivo e real, fique são e apto a ser vivido da forma mais alegre e dignamente quanto possível. A cortina entre os dois mundos jamais se extinguirá e continuará apenas uma distância de vontades dos dois reinos, agora certamente menos assustador. O terrível Mac Dara pagou o seu preço por tanta maldade, mas também ele era dotado de sentimentos, quer tenham sido tão erradamente presenteados ao mundo, ao dele e ao dos humanos, que por sempre se provou ser de uma lealdade e amor transcendente a qualquer magia poderosa detida pelas criaturas encantadas.

Este é um livro que liga muitos fios condutores de outras histórias, todas aquelas que conhecemos nesta trilogia. A Sevenwaters ainda não tinha sido feita justiça pelo enorme controlo que jazia sobre os filhos de Sevnwaters com o poderio das vontades incessantes de certas criaturas encantadas pela fragilidade da humanidade. Fora esta, a humanidade, que sempre se mostrou ser a verdadeira cortina entre os dois mundos, aquele que em tudo fez e continua a fazer mudar o reino das criaturas encantadas, certamente, a derradeira e a sua grande prova e no fundo grande elemento de sabedoria até para aqueles que são detentores de magias poderosas. Num momento em que as criaturas boas, como a senhora da floresta, partiram para o ocidente deixando criaturas errantes a governar o reino encantado, permitindo a outros desejar esse lugar, os pequenos bons seres continuaram ali, nos demais recantos da floresta, aguardando que finalmente o destino fosse comprido. Talvez fosse a alvorada que cada vez que nascia nas paredes do grande reino, fosse o fator vidente de um futuro promissor, para que eles devessem continuar a esperançar que fosse feita justiça e que chegaria o momento em que todos eles poderiam sair dos seus esconderijos e comemorar a esplendor de uma vida pura e digna dentro daquele reino. Assim o foi, depois de tamanha provação, sacrifício, lealdade e aceitação de desígnios. 

Não se pode dizer que, "Ah...acabou tudo bem, como sempre os livros tendem a deixar esse final feliz", mas não, acabou tudo, não com um final certo de felicidade, mas um caminho que se começa a percorrer agora nesse sentido isso, não esquecendo de que haverá sempre prova e sacrifício, mas também, e por isso, uma felicidade merecida, no seu devido tempo.

A lealdade é testada até ao limite do possível, quer as razões dos nossos atos sejam corretos ou errados, a espada que verga a nossa vontade e desejo pode-se transformar em várias faces, aquela que é necessária ao cumprimento do que nos é exigido. O perdão é outra grande lição, grande lição esta que toma caminhos diferentes e fins diferentes, só poderá ser utilizado com a maior bravura e anseio de um futuro que se deseja mais promissor e esperançoso. A ambição é aqui mostrada como terrível arma para se levar para o mundo, quer as nossas verdadeiras razões sejam as melhores para o mundo, a ambição, mesmo que boa e positiva, pode-se transformar numa vontade maior de poder, a maior ambição capaz de destruir um mundo ou dois.

Este é também um livro que nos ensina aceitar o que somos, quer as marcas profundas das nossas vivências sejam exteriores ou interiores, nenhuma prevalece à outra, e muitas das vezes as duas convivem de perto. Nem podemos subestimar o destino. Creio, mais uma vez, que após mostrarmos a bravura do nosso espírito, a dignidade ao que é certo, aceitando que para tudo de bom se perde algo, esse sacrifício em conjunto com tamanha lealdade e amor puro, só poderão ser as peças importantes para criar uma magia diferente, uma magia possível aos humanos, que não são como as criaturas encantadas. Apesar, e deve-lo dizer, que a história, enquanto contada, tem alguns erros, podia ser mais descrita numas partes, menos falada em outras, mais estendidas principalmente no final, mas, a história pura e brilhante de Sevenwaters continua lá, como uma chama que jamais se apagará, quando, principalmente, essa chama que ilumina Sevenwaters é a que guarda agora o reino encantado e a que guarda cada parte daquele reino, daquela floresta, em todos os campos, rios, lagos, e gentes de Sevenwaters, em direção à luz.

É verdade, a história perde-se em alguns momentos, sendo pouco ou demasiado explicativa em certos momentos, que não consegui acompanhar, e o final, enquanto história não podia ser melhor e garanto que dei um espasmo maior do que espanto porque jamais esperei tal final, mas enquanto escrita, as últimas páginas, (apesar de acabar com essa chama, e de nos deixar reviver que, apesar de ser uma história longa em que mesmo após os finais felizes, viver, não é, nunca foi, nem será uma tarefa simples, e que, haverá sempre um dia de manhã, com maior desafio que o de hoje), eu preferia ter terminado a leitura com uma visão do futuro, o suficiente para acalmar o sonho ou inquietude de uma preocupação pelo rumo das personagens, afinal de contas tanto aconteceu neste curto espaço de tempo. Há que esperançar que qualquer desafio nos leve a melhor lugar, aquele em que abraçamos algo ou alguém e nos sentimos finalmente em casa, termo que procuramos conhecer uma vida inteira. E nas palavras de Maeve, é pelo que vale de facto a pena lutar.

Relembra-nos também, que os momentos felizes de outros não escurece os nossos próprios momentos infelizes ou outras vezes os ilumina, mas ajuda-nos a consertar o espaço ferido e cansado de tristeza, deixando esperança e felicidade, não é pelo que se não tem, ou por aquilo que se perdeu, mas por se ter feito parte daquela felicidade que se construiu nos outros. De certa forma, constrói-se a nossa, nem que seja apenas em assombros de felicidade momentânea, momentos haverá que, exigirão mais do que contentamento pelos outros.

E por fim, este é um livro que fecha um ciclo, o porquê de muitas personagens atrás conhecidas, o porquê de certas decisões, o momento de mostrar a verdadeira bravura por tudo o que desde Sorcha foi criado, afinal de contas é o sangue dela, a magia dela que corre no seio dos filhos, agora de Sevenwaters e que tão bem, mostraram mais uma vez serem dignos de eternas canções épicas, cheias de lições e relatos de grandes feitos e honrosas vénias se mostrarão para todo o sempre quando os seus nomes forem ditos ao vento, certo que, até ele os reconhecerá ao sabor das folhas experientes das árvores sábias e antigas, aquelas que testemunharam tudo.

Os géis não é esquecido, bem como, o passar as lições para a geração seguinte, mas a inevitabilidade do futuro, não é uma pedra que deve sustar no caminho, mas sim, deve ser o momento de contemplação por um passado merecedor de cumprir o que devia ter sido feito/cumprido. Quanto a, o quê? Já pertence ao destino e à vontade de cada detentor dessa história.

É inevitável aceitar que o destina conspira contra nós, ou a favor de nós. Seja como for, os fios são libertos e permitidos tecer uma bela teia de felicidade, forte e eterna, aquela, em que a partir de agora será teada em todos os recantos de Sevenwates e no reino encantado com muito amor.

A chama manter-se-á até a recordação a manter viva no coração de todos e até aquele que o desejar manter acesa dentro de si, a chama certamente, será sempre leal à sua luz boa e sã.


página oficial: http://www.julietmarillier.com/

10 comentários:

  1. Olá amiga,

    Que belo texto e tão bela homenagem a esta grande escritora e como referiste tão boa pessoa, de facto nunca vi ninguém com a simplicidade para com os seus admiradores, passar um dia com a escritora é verdadeiramente um dia de bom convívio e marcante.

    Bela foto que ai tens, acredito que para ti seja um orgulho. Desse dia apenas tenho pena de não ter tido a oportunidade de te conhecer pessoalmente, mas acredito que um dia isso venha a acontecer ;).

    Aqui está uma boa forma de divulgar a sua trilogia, só tenho pena de não teres mencionado ai um corvo interessante :P

    Sabes o que admiro esta escritora, foi quem me fez ganhar hábitos de leitura e para mim é sempre um prazer falar e ver os seus livros divulgados.

    Como sabes considero que apenas devia ter ficado por uma trilogia, esta tudo devidamente encerrado. Mas pronto os seguintes são bons, pelo menos o Herdeiro, mas já sem a magia dos anteriores.

    Muito bem, pela homenagem ;)

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    1. Ups...não mencionei o valente e curioso Fiacha..:P

      Mas não quero estragar surpresas agradáveis, não há testemunho melhor que a própria experiência, por isso é melhor ler :D

      O herdeiro era necessário para compreendermos o mundo dos Tuatha De Danann. Já a história de Sibeal, dispensava aquele rumo, julgo que poderia-se ter aproveitado essa personagem para o que se espera a seguir...estou ansiosa e curiosa para ler o último livro...:D

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  2. Olá Carla
    Um excelente comentário a uma grande escritora e uma grande senhora.
    Tive pena de não ter participado neste dia que foi certamente fantástico.
    Pode ser que uma nova oportunidade surja :)
    Os seus livros são muito bons, levam-nos numa viagem ao desconhecido, num trilho cheio de magia, de seres feéricos e de bondade. As suas personagens são tão bem construídas que nos encantam.
    Parabéns pela "viagem" a sevenwaters que nos proporcionaste com o teu comentário :)
    Bjs

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  3. Obrigado amigos ^_^ é de facto uma grande senhora, e é impressionante que quando olho para os seus livros dá-me uma vontade imensa de os tornar a ler...por vezes acarinho as capas e lembro-me das suas histórias...fazem-me sentir bem :D

    Mais uma vez, não me importava de continuar a viajar por Sevenwaters, não me canso das histórias da fé antiga, os ensinamentos druidas nem das florestas governadas por gentes de outro mundo.

    :D

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  4. Oi Carla,
    há tempos q estou lhe devendo uma visita, mas aqui estou, ainda mais para falar de JM!!! Essa autora e sua obras, principalmente sevenwaters, me foi indicado pelo FIACHA, e realmente gostei muito do q li. A Filha da Floresta me encantou, assim como Sorcha, Finbar, Conor, e Red, só fiquei chateada com o final, pois todos se separam para seguir seu próprios caminhos, mas na vida real é assim tb, e faz parte, pois cada um tem o seu próprio caminho para trilhar, não é?

    bjs e boas leituras

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    1. Olá Amanda ^_^ obrigado pelo comentário.

      É bem verdade, tal como todos nós, seguimos o nosso caminho e muitas vezes por ele não caminham todas as pessoas que gostaríamos. De qualquer forma, importa o que ficou dentro de cada um de nós daquilo que vivemos com os outros.

      A verdade é que, há sempre alguém ainda longínquo na nossa vida presente que precisa de nós, e então, por vezes temos de ter coragem para prosseguir o nosso caminho e encontrar o nosso próximo destino, mesmo que, para isso, tenhamos de dizer "Até logo" para aqueles que ficam para trás, daqueles que até nós precisamos...

      Todas aquelas personagens tiveram um forte e importante papel, e claro, há coisas que vivemos das quais não voltamos a ser os mesmos..não deixam/deixamos de ser quem somos, apenas melhoramos, apenas crescemos, apenas nos completamos e por vezes, apenas aparecemos para deixar algo a alguém ^_^

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  6. Olá Carla
    Parece que Sevenwaters chega mesmo ao fim com esta "Chama".
    Já é tempo, na minha opinião. É certo que todos gostaríamos de saber mais sobre os filhos de Sevenwaters e todo aquele mundo encantado. No entanto fico com a sensação de que a história se arrasta contra a vontade da própria autora.
    Tenho o livro em casa e será uma próxima leitura.
    Um comentário muito pessoal, mas muito bom como sempre. Gostei muito
    Bjs e boas leituras

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  7. Olá Carla és muito perfeita na opinião dos livros da Juliet lendo os teus comentários parece que os livros que menos gostei fossem perfeitos. Na minha opinião a trilogia nunca deveria ter tido seguimento. São bons livros mas acabam por saturar e arrastar a historia de Sevenwaters.

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  8. Olá Luísa, obrigado pela tua opinião.

    Compreendo o que dizes, mas eu não estou a distorcer os livros de Juliet ou torneá-los para dissuadir ninguém só porque eu gosto da escritora e dos livros, há uma diferença entre ler um livro e gostar da história e ler analisando profundamente a mensagem que nele contém.
    Escrever histórias não é só contar uma passagem do tempo com muitos floreados de amor, acção, alegria, amizade, o que tu queiras. Mais do que isso, um livro é passar saberes, mensagens que tu possas levar para a tua vida mesmo que esteja inserido numa história qualquer.
    O problema na 2º. trilogia de sevenwaters foi não ter tido um seguimento da ação principal.
    Quando tu dizes por exemplo (no fb) que Johny deveria ter aparecido na história, eu acho bem que não o tenha. Juliet não repete a história das personagens, como pudeste verificar a mesma personagem não aparece como principal em dois livros e ela acaba por justificar o não envolvimento dele na história. Para ele entrar nesta história toda ação principal teria de centrar no ponto comum que seria sobre o herdeiro de sevenwaters. A ação principal desta história era a derrota de Mac Dara, e não podia ir metade de Sevenwaters para o reino encantado, até porque, só estavam presentes as personagens necessárias para completar o géis. Personagens como Cathal e Clodagh foram obrigatoriamente trazidas à história, as outras nada podiam fazer, porquê inserir mais personagens que obrigariam a uma história mais abrangente para as inserir a todas? Tornar-se-ia complexa.
    O final podia ter sido diferente, mas não deixa de fazer sentido.
    Vejo que ficaste desiludida com a história. Para mim o herdeiro de sevenwaters foi (para mim) o segundo melhor livro de todos os de Sevenwaters, talvez a derrota de Mac devesse ter sido o 2º. Livro desta trilogia e não o 3º., teria sido diferente e teria melhor sequencia do que após a vidente, que nada trouxe a este caminho.
    De qualquer das formas, este último livro traz algumas boas lições e encerra a história da manipulação das filhas de Sevenwaters pelas criaturas encantadas. Talvez tenha sido essa a foma da escritora finalizar esta saga.
    Beijinhos e boas leituras.

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