- plin
plin plin…chamo para mim…plin plin plin eu chamo por ti… - cantarolava a velha
sapo.
- Que
estás a fazer aí empoleirada? – zurrou o velho sapo na alvorada.
- Estou
a chamar a fada? – reclamava a velha sapo num esgar de forma desajeitada.
- Mas
estás a chamar a fada para quê? – olhava o sapo surpreendido agarrando o
relógio de bolso que insistia num tic tac aborrecido.
- Olha
é para ver se ela te transforma num sapo mais bonito e menos chato – respondeu
a mulher sapo que via os chamamentos frustrados.
- Então
mas eu não sou bonito? olha para isto – dizia o sapo enquanto rodava uma vez
para um lado e outra vez para o outro, vaidoso e finito.
- Eu só
vejo um sapo gordo, verde e enrugado. Já não és o sapo mais bonito do lago –
resmungou desaforada a velha sapo pouco desejada.
- E tu,
és uma velha enrugada, magra e mal-humorada – contradizia o velho sapo
levantando a sua redonda barriga.
O velho
casal de sapos, chateado e magoado, virou costas um para o outro. Enquanto o
sol irradiava pela janela do velho cogumelo e este regozija-se do calorzinho, o tintilar foi-se ouvindo. De longe fininho, que depois foi-se chegando mais
pertinho.
- Plin
plin plin…alguém chamou por mim? Eu sou a fada, a Cailin! - rodava num vento
majestoso a fada que à janela do cogumelo espreitou e entrou.
A fada
quando chegou, à espera de quem a chamou, o que apenas encontrou foi um casal
de sapos, velhos e enrugados, muito mal-humorados.
- Ora
ora ora..vejam só o que encontro a esta hora. Um casal cheio de amor, mas que
se esqueceu do seu ardor. Sei muito bem do que vocês precisam, apenas de um
toque da minha magia – a sua mão levantou e palavras brilhantes ditou - “De
leve ao de leve, ao profundo do profundo, traz a memória mais preciosa, traz a
aurora mais radiosa”.
O velho
casal de sapos ouviu um estrondo vindo do seu cogumelo-casa e correndo à
janela, viu que mais alguém havia nela. Então num azul reluzindo, dois
passarinhos elevavam o cogumelo e eles voaram pela floresta rindo.
A fada
Cailin, sentada numa prateleira de cetim, cantarolava ao som dos pássaros, enquanto,
a sua magia os levava para longe, bem lá longe. O casal de sapos, agitava-se
assustado, ralhando culpas e amarguras. Uma alta torre rasgou o céu, vestida
por nuvens brancas e os sapos sem querer sorriram um para o outro. Numa dança
de boas-vindas, muitos outros pássaros desenham imagens lindas, dançavam à
aurora recém-nascida e lá iam os sapos deambulando por magia.
O velho
casal de sapos ficou espantado de tão belo cenário. Viram-se entrar para dentro
de uma grande biblioteca e lá adiante aterraram perto de uma ampulheta. O
cogumelo-casa lá ficou numa mesa encantada e aos bocados se separou desamparada. Os passarinhos riam e riam subindo a uma prateleira alta.
Ali
tudo era tão alto. Então a fada do cogumelo saiu e com a sua magia um livro
abriu. O casal de sapos viu-se espantado, não esperava ver-se no passado, ali
mesmo nas páginas velhas de um velho livro, tão velho quanto eles.
A vida do
velho casal apareceu nas velhas páginas e mostrou os momentos mais importantes
da sua união. As páginas eram bem cheirosas e nelas apareciam imagens saudosas.
Lembraram então que viviam há muitos anos juntos e recordaram das muitas
alegrias que juntos tinham vivido. As mãos entrelaçaram-se honestas e
confiantes das suas escolhas. Até o rosto das suas dezenas de filhos viram,
todos elegantes e riginhos, a saltitar alegres e vaidosos.
Então, há medida que os anos passavam naquelas
páginas, o velho casal de sapos foi ficando mais jovem, tão jovem quanto as
páginas daquele livro. Então a graciosidade do tempo, uma nova oportunidade
lhes ofereceu e do encantamento uma nova vida apareceu. O velho casal de sapos
era agora novamente um novo jovem casal de sapos.
- Plin
plin plin…a fada encantou tal como alguém me chamou – dançava a fada esperando
uma resposta.
A jovem
sapo olhou o jovem sapo e pensou, pensou, pensou, enquanto o jovem sapo olhava
triste para o seu corpo, magro e amarelado.
- Fada
Cailin, eu que chamei por ti, errada estava quanto ao encantamento, porque não
contava o meu verdadeiro sentimento. Eu amo o meu sapo, velho e enrugado.
Muitos têm sido os anos de vivência, tantos que me levam à descrença de uma
outra felicidade. Não me importa a velhice, importa o velho brilho do olhar do
velho sapo, que não tem tempo e é o meu amado.
- Plin
plin plin e a fada sabe que sim. Um velho teste para um velho amor, que dure
sempre com ardor, longo e com esplendor – com o brilho de uma nova dança fez-se
uma nova magia que brotou numa renovada esperança.
Então o
jovem casal de sapos perdeu o encantamento ilusório e satisfeitos voltaram a
ser velhos sapos, felizes e juntinhos.

Viva amiga,
ResponderEliminarJá tinha tido o prazer de ler esta história que finalmente decidiste publicar e como sabes gostei bastante, simples mas comovente :)
Continua a partilhar estes momentos de magia :D
Bjs
Obrigado amigo ^_^ uma aventura engraçada :P
EliminarBeijinhos
Não percebi que tinhas publicado aqui esta bela história :)
ResponderEliminargosto tanto dela :) de uma forma simples descreves as desventuras deste "velho" casal de sapos e que tanto encontram reflexo nos seres humanos.
a linguagem está muito engraçada e bela.
quem sabe mais aventuras e desventuras nos poderás oferecer desse mundo fantástico.
beijinhos
Obrigada amiga por tudo ^_^ somos todos um pouco assim :D
EliminarBeijinhos