"Uma octogenária em fim
de vida recebe a visita de um padre aposentado, para a última confissão,
e ambos revisitam o passado na esperança de exorcizarem demónios de
consciência. Cinquenta anos antes, a mulher fora denunciada à PIDE por
um bufo que depois desapareceu sem deixar rasto juntamente com o agente
enviado para investigar a denúncia. Mas o demónio de consciência mais
antigo nascera anos antes, dos escombros da Segunda Guerra Mundial, nas
ruínas de um coração".
Opinião:
Em tempos de necessidade são tomadas
decisões difíceis para encontrar melhores condições de vida. São decisões
difíceis, não só, porque obriga deixar quem se ama, como é um risco procurar no
desconhecido a salvação. Assim aconteceu a António que partiu clandestinamente
para França por uma vida melhor para si e para a sua mulher com vida a gerar
dentro dela.
Chegado à fronteira quis o destino
pregar-lhe uma partida. A PIDE. A Polícia Internacional e de Defesa do Estado que utilizava a tortura para obter
informações e foi responsável por alguns crimes sangrentos.
“Terra
fria”retrata esta época de injustiças, opressão, perseguição e forte violência.
É um livro duro para recordar duros tempos. A sua história sente-se na própria
pele, sente-se a tensão, o receio e a impotência perante os inspetores da PIDE,
com tamanha manipulação e poder.
Esta passagem
é-nos contada de uma forma envolvente e tocante com especial atenção a uma
personagem forte e muito corajosa, a que, vamos assistindo em primeira fila à
grande prova que foi viver nestes tempos violentos. Chama-se Esmeralda e a sua
luta começou na hora do parto da filha. E, é pelo sangue que também é seu, que
vai lutar pela sobrevivência de quem mais ama, mesmo quando, tudo parece ter
terminado.
Nem todos os
inspetores tinham coração de pedra, ou será que tinham? É o que vamos descobrir
com a personagem Silvério. Apenas um coveiro ou mais do que isso? O passado nem
sempre se liberta do presente e parece manter-se até ser necessário. Pois a justiça tem
várias faces e fazer justiça, muitas das vezes, obriga atentar contra a
sua própria essência e cometem-se crimes necessários. Só a dor é capaz de
causar tal sentença.
Vieira do Minho, “a terriola" , parece
ter acordado uma atenção indesejada aos PIDE’s que não se acanham em usar a
força para controlar ou eliminar eventuais manifestações de opinião e
descontentamentos que se opunham ao regime vigente. Esmeralda vê-se no gume
afiado da morte. A agulha conserta a vida, a mola rouba-a e a
tesoura sacrifica o corpo e salva coração.
Este livro fala de sacrifício, de dor, tem
prova de amor, tem firmeza nas escolhas, tem luta pelo que merece ser lutado,
tem prazer em se ler, tem honestidade de ser. As suas
palavras são um colo comovente com lágrima derramada onde a verdade é contada
como importante lição e esperança de que todo o mal também tem a sua hora. A
morte é o fim de tudo, mas não, o fim das lições que ficam para quem as quiser
aproveitar para melhorar a sua, e a vida dos outros.
Parabéns Manuel Alves por mais um excelente trabalho....
http://juroqueminto.blogspot.pt/
https://www.goodreads.com/book/show/20804191-terra-fria?from_search=true

Viva miga :)
ResponderEliminar*Este livro fala de sacrifício, de dor, tem prova de amor, tem firmeza nas escolhas, tem luta pelo que merece ser lutado, tem prazer em se ler, tem honestidade de ser. As suas palavras são um colo comovente com lágrima derramada onde a verdade é contada como importante lição e esperança de que todo o mal também tem a sua hora. A morte é o fim de tudo, mas não, o fim das lições que ficam para quem as quiser aproveitar para melhorar a sua, e a vida dos outros.*
Tudo dito nova leitura conjunta de um livro do Manuel nova grande leitura sabe bem ler livros destes, fazem parte da nossa historia e uma justa homenagem a tanta gente que sofreu as mãos da Policia do Estado.
Parabens por promoveres o Manuel, bem merece e todo o apoio só o ajudará tenho a certeza ;)
Bjs e boas leituras
Mais um excelente trabalho de Manuel...muito há a dizer, mas nada melhor que ler :)
EliminarBeijinhos
Um livro muito bom, e o teu comentário bem o demonstra amiga ^_^
ResponderEliminarUma fase que o nosso país atravessou e que deixou marcas fortes em tantas pessoas, em tantos rostos, em tantas lágrimas.
O Manuel consegui pegar numa dessas lágrimas bem dolorosa e transpô-la de uma forma límpida, para as folhas de papel da sua história, com a sua escrita muito própria.
Gostei muito do teu comentário :)
beijinhos
É um excelente trabalho por isso, além de bem escrito, Manuel procurou conhecer a época e muito bem a retratou :)
EliminarNão foi de certeza uma época nada fácil...
Obrigada amiga ^_^
Beijinhos
Olá, Carla, Caminhante e Fiacha. :)
ResponderEliminarLer palavras assim que, em parte, nasceram das minhas palavras ... sorrisos. ^_^
;) não há melhor satisfação que provocar sorrisos :)
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