O
ar quente saudou-me. O olhar apenas se rendeu um pouco àquele novo brilho. Não
havia medo, não havia sombra. Ali, saudado por uma brisa leve, apenas um raio
de sol parecia existir perto da realidade que começava a absorver. O quarto
estava bem iluminado, não fossem as suas paredes terem apenas o
tamanho de um pequeno homem do vale dos anões.
Dirigi-me ao que se mostrava ser, para além daquele
quarto, um vasto vale, onde o arvoredo era farto e verdejante, e onde, um só
rio limpo e baixio deambulava na serventia daquele profundo encanto
da natureza.
Estava
tudo silencioso. Fechei os olhos. Senti-me leve, quente, bem-vindo naquele
lugar que eu sabia que não era real. Imediatamente abri os olhos:
-
Claro, um sonho?! – exclamei radiante.
Senti-me
simultaneamente aliviado por manter
o sonho e ansioso para ver
quem me teria invocado.
A
mão dela surgiu quente nas
minhas costas. Um toque arrepiante e ao mesmo tempo tão intenso que me voltei
como se uma magia me transformasse parte daquele ser, obrigando-me a juntar ao
seu próprio corpo e forma.
-
Feiticeira – sussurrei-lhe.
A
sua tez morena da pele, era apenas o toque de um sol de ouro, o mesmo toque que
lhe tocara nos cabelos longos e ondulados quando nascera, e os marcou com a sua
bonança.
Quando
me tocara pela primeira vez no rosto, senti-me levado por miragens de paisagens
fartas e coloridas, onde a vira crescer sob os campos de um outro mundo, aquele
onde eu agora a abraçava e sentia o poder da magia daquele lugar, a mesma, que
me salvou um dia.
A
feiticeira tocou-me na pele descoberta da túnica. O toque recíproco
de carícias entre os dois, reacendeu fortes desejos e vivências que
evocavam os nossos corpos, aquelas
que não fizemos esperar. O tempo é feito de ampulhetas misteriosas e o destino não perdoa
aqueles que não aproveitam o sopro da vida e o correr certo das suas areias.
Senti-me
honrado por amar tal ser. O seu toque era suave e profundo, e eu sentia a força
do seu desejo, tal como, era certo e verdadeiro o meu grande desejo por ela. E assim, os
corpos moveram-se seguindo o ritmo das respirações ofegantes e aspirações do
desejo. No êxtase do momento senti-me perdido na felicidade que aquele sonho trouxera à minha existência. Senti-me sedente em querer ficar ali perdido num
sonho. E quando olhei a feiticeira ela percebeu o meu desejo. Acariciou-me e
segredou-me:
-
O meu nome...é Elanna bravo guerreiro dos homens maiores – segredou-me numa voz doce
e amada.
Abracei-a
contra a minha alma, querendo-a manter bem
perto de mim. Apenas dentro de mim, do meu peito,
já não me chegava. Mas a ampulheta rodou. O sonho acabou. Ao sentir o momento
roubado, apenas foi-me permitida a despedida de um beijo intenso gravado de paixão e dor. Elanna desvanecera-se
sorrindo numa lágrima mostrada e o vale desapareceu levando-a consigo.
Ao
acordar, a realidade pesada abateu-se sobre mim, o peso do corpo ganhou força à
minha vontade. À minha volta, surgiu
uma aldeia movimentada numa meia tarde
cinzenta, governada pelos fumos das fogueiras fracas que mal aqueciam do frio
do inverno rigoroso. Bem perto de mim,
surgiu um rosto sujo e ofegante.
-
Senhor? Senhor Mark? - chamava o homem desconhecido, certificando-se que encontrara quem alarmado chamava.
-
Quem sois? - olhei atento àquele homem que se curvou numa vénia que não reconheci o propósito.
-
Senhor Mark venho da parte de vossa alteza real, trago uma mensagem.
-
Um mensageiro do reino aqui? Nesta vila tão longe da cidade? – proferi erguendo
as sobrancelhas num esgar desconfiado.
-
Já vos procuro há 3 dias senhor. Tive uma pista acerca do seu paradeiro no vale
das estacas de ferro. Mas não vos encontrei. Foi uma inspiração encontrá-lo
aqui. Mas se me é permitida a urgência da diligência, a mensagem é breve. Vossa senhoria o rei Josh
requer a vossa presença imediatamente na Cidadela para receberdes mais
instruções.
- Josh?
Rei da Cidadela? – o espanto foi tão claro quanto o golpe da notícia.
-
Sim senhor, o rei foi coroado há já 3 luas. Pensei que o anterior mensageiro
tivesse-vos entregue a mensagem.
- Não,
não entregou. Nem ninguém me procurou tão certo. Muito bem, podes dizer a vossa
senhoria que dentro de uma lua lá estarei.
-
Senhor? – insistiu o homem. Senti-lhe o frio que o percorrera na espinha – Senhor?
Estamos em guerra. Vosso rei esperava-vos…
Antes
de o homem terminar a mensagem, uma seta trespassou-lhe a garganta. Não mais
senão o olhar daquele que amparei nos meus ombros, me pode revelar o que ainda
tinha por dizer. Procurei imediatamente o assassino que se refugiara nas árvores
grunhidas da floresta.
Num
passo silencioso e largo, logo alcancei a sua fronteira procurando a sua
presença. Logo após o alto feto, emaranhado num esconderijo das raízes de uma
árvore velha e rugosa, estava um homem desgovernado atingido por uma seta no
ombro e afrontado pela sentença que a minha espada mostrou.
O impulso
em defender-se apenas me levou a matá-lo mais rápido, a lâmina passou-lhe num
golpe fino na garganta. o seu sofrimento calou-se na calmaria da sua dor. Da sua túnica um pergaminho marcado de sangue sacudiu
ao vento. O seu texto marcado em pouca tinta e areia já consumida pela cera selada,
ganhou um brilho espectral e pude ler, um texto curto, ordenando o meu assassinato. O requerente
exigia a minha cabeça antes de passar a fronteira para a cidadela.
Do resto da
cera ainda era perceptível o seu brasão. Retirei a seta que o atingira. O corpo
ainda estava quente.
Uma seta de Al’Irmanyka:
-
Magia…sempre presente não é Elanna? – sorri – estamos então em guerra Josh?! Mal
imaginas tu quem são os teus verdadeiros traidores.
Voltei
ao recanto dormitório, testemunho do um sono mágico passado.
Puxei
do saco ao ombro, ajeitei a arma à cintura e prossegui com a caminhada pela
estrada do rei até à cidade brilhante.
Quanto
ao sonho….Foi
só um sonho. Ou talvez,
os sonhos sejam momentos
reais e que apenas são
vividos em outros lugares, lugares esses, onde ainda existe magia.
Neste
mundo, há muito que essa prática
está banida, por enquanto.
Apenas se mantém uma ténue passagem
entre mundos, onde a permanência é
curta medida por
ampulhetas incertas no desgoverno dos desejos contrários ao destino.
Talvez eu te volte a encontrar em breve, num outro sonho.
Ou, talvez eu parte para outro mundo e me encontres e resgates.
Por enquanto, apenas vivo onde o sopro da vida desejar que eu seja útil.
Ou, talvez eu parte para outro mundo e me encontres e resgates.
Por enquanto, apenas vivo onde o sopro da vida desejar que eu seja útil.
-
Caminho para a guerra Elanna, protege-me
no teu regaço. Até breve Josh.

olá amiga
ResponderEliminarque bom, ler estes textos ^_^
gostei muito e tens de continuar esta tua história
A magia é de facto algo muito especial e uma arma poderosíssima, vamos como é que ela vai lidar com o Mark. Estará ele preparado para aceitar todo este poder?
Continua amiga, estou muito curiosa
Bjs e boas escritas :)
ah ah...bem verdade amiga ^_^
ResponderEliminarAinda há muitas surpresas...as areias do tempo correm, contam e comandam o destino de Mark..parece que os mundos se cruzam cada vez mais vezes e cada vez mais perto :D
Obrigado A Caminhante...
Beijinhos ;)
Olá,
ResponderEliminarAi só agora apareço para comentar esta tua partilha :(
Excelente, suspense, surpresas e muito mistério e com muito em aberto para saber como será desenvolvido o enredo...Mark promete sem duvida, mas será ele bom ? Vilão ?
Queremos mais :D
Bjs e continua com este teu dom para a escrita ;)