Julgara-me só naquela imensidão de terra visível. Os
campos estendiam-se num horizonte sem fim. Eu nunca fora crente de magias ou
fazia sequer caso de qualquer história que envolvesse factos estranhos àqueles
que achava possíveis ou reais.
Eu crescera num mundo onde não há espaço para ilusões. Em nova Iorque tudo se movia rápido e com muitas cores, não havia medos ocultos, todos eles eram ultrapassados pelo enorme consumismo, excesso e exuberância da minha terra natal.
Quando casei continuei achar que nada de mal podia recair sobre o meu mundo perfeito, que nada podia fazer estremecer o meu castelo encantado e que todos os meus sonhos, não eram mais que objectivos previamente concretizados.
Um dia meu marido disse para mim “querida vamos fazer um passeio? Tenho um projecto em mãos em Angola e preciso de assinar uns papéis. Acompanhas-me? Vou levar-te a conhecer savana. É um outro mundo”.
Eu crescera num mundo onde não há espaço para ilusões. Em nova Iorque tudo se movia rápido e com muitas cores, não havia medos ocultos, todos eles eram ultrapassados pelo enorme consumismo, excesso e exuberância da minha terra natal.
Quando casei continuei achar que nada de mal podia recair sobre o meu mundo perfeito, que nada podia fazer estremecer o meu castelo encantado e que todos os meus sonhos, não eram mais que objectivos previamente concretizados.
Um dia meu marido disse para mim “querida vamos fazer um passeio? Tenho um projecto em mãos em Angola e preciso de assinar uns papéis. Acompanhas-me? Vou levar-te a conhecer savana. É um outro mundo”.
Eu na minha ignorância chocante estremeci com o horror da ideia (incoerente) que tinha deste lugar.
A chegada foi perfeita como tudo na minha vida.
Continuava haver muitas cores, muitos sorrisos, muita hipocrisia e ouro,
naquele círculo de espaço onde a pobreza era escondia atrás de altas torres de
gente fútil.
Tudo mudou. Tudo mudou assim que eu entrei neste outro
mundo.
Quando passeava no jipe de turista, percorrendo aqueles caminhos de pó que me encharcaram de má disposição, ou porque me estava a sujar, ou porque aquilo era secante, ou porque os mosquitos eram mais que as folhas das árvores, o meu peito levou um embate, e então, foi esvaziado e enchido de novo, de novo ar de nova paz.
Naquele momento eu percebi que o meu mundo estava errado. Que o meu castelo vergara-se sobre solos exíguos, e que afinal, as cores que me rodeavam em Nova Iorque não eram reais, mas sim, efeitos de uma mera cortina fechada, porque a verdadeira cor estava naquele céu, na cor daquele soberbo amanhecer que explodia naquele horizonte sem fim.
Quando passeava no jipe de turista, percorrendo aqueles caminhos de pó que me encharcaram de má disposição, ou porque me estava a sujar, ou porque aquilo era secante, ou porque os mosquitos eram mais que as folhas das árvores, o meu peito levou um embate, e então, foi esvaziado e enchido de novo, de novo ar de nova paz.
Naquele momento eu percebi que o meu mundo estava errado. Que o meu castelo vergara-se sobre solos exíguos, e que afinal, as cores que me rodeavam em Nova Iorque não eram reais, mas sim, efeitos de uma mera cortina fechada, porque a verdadeira cor estava naquele céu, na cor daquele soberbo amanhecer que explodia naquele horizonte sem fim.
Aquele horizonte que me transformara, que me fizera
largar o chapéu, deixando os meus cabelos soltos e livres tal como o meu
coração. Algo se agitou dentro de mim. Uma sensação plena que nunca tinha dado
espaço para sentir.
Aquele lugar não precisava de painéis publicitários ou ruas repletas de gente para nos fazer sentir gente feliz ou para nos ocupar a visão de uma utópica felicidade, porque afinal, a simplicidade da vida é a condição para abraçar a verdadeira felicidade.
Então um grande sonho se realizou. Durante esta viagem reveladora, eu engravidei. Depois de anos de tentativas e de tratamentos numa cidade tão imponente, engravidei numa simples e calma terra.
Aquele lugar não precisava de painéis publicitários ou ruas repletas de gente para nos fazer sentir gente feliz ou para nos ocupar a visão de uma utópica felicidade, porque afinal, a simplicidade da vida é a condição para abraçar a verdadeira felicidade.
Então um grande sonho se realizou. Durante esta viagem reveladora, eu engravidei. Depois de anos de tentativas e de tratamentos numa cidade tão imponente, engravidei numa simples e calma terra.
No terceiro dia de passeio pela extensa savana, tive a
oportunidade de ter contacto com uma tribo. As condições modestas em que
viviam, felizes com tão pouco e, ainda assim, saudáveis, fizeram-me sentir tão
pequena e envergonhada pela forma de como o povo do chamado terceiro mundo vive
com tanto exagero de materialismo.
De uma tenda saiu uma mulher, já idosa. Ela olhava para mim de forma permanente e intensa deixando-me pouco à vontade. Era uma mulher pequena e ao pescoço usava um colar feito de ossos e penas coloridas. Pouco depois avançou até mim, colocou-me as mãos no rosto e eu recuei.
De uma tenda saiu uma mulher, já idosa. Ela olhava para mim de forma permanente e intensa deixando-me pouco à vontade. Era uma mulher pequena e ao pescoço usava um colar feito de ossos e penas coloridas. Pouco depois avançou até mim, colocou-me as mãos no rosto e eu recuei.
Meu marido tranquilizou-me: “não tenhas receio, estão a
dizer que é a xamã da tribo. Também chamada de oráculo de chana. Deixa-a falar,
eu vou traduzir”.
Aquela mulher com um olhar límpido e transparente trespassou-me e começou a entoar palavras que não percebia.
Aquela mulher com um olhar límpido e transparente trespassou-me e começou a entoar palavras que não percebia.
- “Ela está a entoar uma oração, pelo que percebo está
a pedir à mãe da vida que abençoe todas as mulheres nos partos difíceis para
que os novos filhos nasçam saudáveis. Está a dizer qualquer coisa como, que o
horizonte estenda o braço até onde estiveres para que estas forças te
acompanhem e te façam renascer trazendo luz à tua nova vida e àquela que trazes
contigo” – traduziu meu marido.
Seja o que for que acontecera a seguir, não sou testemunha de tal momento. Meu marido amparou-me no meu desmaio repentino. Aquelas palavras acompanham-me todos os dias da minha vida. E elas foram mais fortes quando aos 8 meses de gestação, foi-me revelado na língua da vasta ciência, que por razões que não quis entender, que não ia aguentar ter o bebé, e que, ou sobrevivia eu, ou a criança.
Seja o que for que acontecera a seguir, não sou testemunha de tal momento. Meu marido amparou-me no meu desmaio repentino. Aquelas palavras acompanham-me todos os dias da minha vida. E elas foram mais fortes quando aos 8 meses de gestação, foi-me revelado na língua da vasta ciência, que por razões que não quis entender, que não ia aguentar ter o bebé, e que, ou sobrevivia eu, ou a criança.
Nesse dia, olhei meu marido que não conseguiu reter as
lágrimas, e apertando-me com força as minhas mãos. Eu estava tranquila, então
disse-lhe ternamente:
- Seja o que for que o destino me trouxer, eu ouso gozar de um acto de fé. Vamos voltar a savana. Lá eu sei que tenho paz, e se eu partir, caminharei por aquele horizonte magnífico olhando e guardando o nosso filho. Ainda assim, sinto no meu coração uma força transcendente de que tudo irá correr bem. Meu marido ainda atormentando-me porque a viagem era um risco para mim naquele estado, eu não ousei mudar de ideias.
- Seja o que for que o destino me trouxer, eu ouso gozar de um acto de fé. Vamos voltar a savana. Lá eu sei que tenho paz, e se eu partir, caminharei por aquele horizonte magnífico olhando e guardando o nosso filho. Ainda assim, sinto no meu coração uma força transcendente de que tudo irá correr bem. Meu marido ainda atormentando-me porque a viagem era um risco para mim naquele estado, eu não ousei mudar de ideias.
Chegada a savana, abraçada por um horizonte extenso
rasgado de aventuras e sonhos, vivi dias de plena paz e alegria comigo e com o
mundo. Junto a mim, meu marido acarinhava-me, sentindo-me fugir das suas mãos.
Até que então, chegara o grande dia, o meu filho vinha
ao mundo num esplendor magnífico. A xamã fora chamada e com ela trouxe uma curandeira do povo,
não uma médica, não uma parteira profissional, apenas uma curandeira, uma
mulher simples num mundo simples, em que os seus remédios eram apenas a água e
as plantas que cresciam nos campos.
O parto foi mesmo ali, no espaço aberto na magnitude dos braços de uma mãe natureza que na sua complexidade deslumbrante da vida, me ajudava trazer ao mundo uma parte de mim. As águas foram entornadas no meu ventre, a xamã entoava belas palavras que as esmaguei ao peito, alimentando-me a alma.
No momento em que o sol rebentou elevando-se num céu majestoso, meu filho chorou dando sinal de vida e de uma saúde visível.
Se não acreditava em outras forças, numa fé de outros
mundos e magias, hoje são a minha capa protectora.
Não voltei mais a Nova Iorque.Não consigo viver num
mundo onde as cores são mentira. Hoje sou uma mulher simples que vive numa
Angola magnífica junto de um marido apaixonado e de um maravilhoso filho que
acaba de dar os primeiros passos.
Eu renasci quando escolhi lutar por mim e pelo meu filho. Eu agradeço a segunda oportunidade, e utiliza-a da melhor forma.
Eu renasci quando escolhi lutar por mim e pelo meu filho. Eu agradeço a segunda oportunidade, e utiliza-a da melhor forma.
Obrigado.
Sem comentários:
Enviar um comentário