Por vezes o mundo confunde-nos com pequenas
presas, fixando lanças afiadas ao vento esperando o nosso regresso. Juro que
por vezes sinto-me fraca com tamanha brutalidade. Eu, que tantas vezes por ser
incompleta ou vã, não cresço o suficiente para estar pronta para talhar aquele
destino que se enreda no meu caminho, que surge em tão plena intenção. E eu
fico ai, como névoa passagem do tempo. Ali surge o
que o passado chama de martírio, uma fraca caminhada de horror, onde não há fé
nem esperança.
Os caminhos cruzam-se como rotundas do tempo que nos fazem
voltar ao ponto de partida e nos fazem desesperar num caminho errante,
repetindo as lições que nos corta, nos massacra até dar-mos o passo certo.
Oramos e pedimos o que a alma tanto já fez, há tanto tempo. E só no final, na
meta suada, na meta sofrida marcada de cicatrizes, dor, sofrimento, orgulho e
alegria, nos apercebemos do quão fácil teria sido se olhássemos para atenção
para o caminho no nosso horizonte, ouvindo o vento com as suas mensagens, avisos
e concelhos.
Por ali, estiveram a todo o tempo como pequenas placas a
sinalizarem o caminho correcto. Erramos por olhar para um chão vazio marcado
pelos passos dos outros que também erraram no tempo, achando que por essa via
conseguiam tudo, porque o seu sentido era suficiente com as ternas passagens de
uma vida, para decidirem tudo muito certamente.
Que inocência e vã esperteza,
quantas vezes talhamos o mesmo caminho, e não o conseguimos ainda saber de
cor?
Sem comentários:
Enviar um comentário